Política

CUT debate crise e eleição de 2010

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

A temida crise irá impactar não apenas na economia mundial, mas também nas eleições gerais do ano que vem, quando o eleitorado brasileiro definirá o novo presidente da República. As conseqüências já estão sendo combatidas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) que, na sexta-feira passada, promoveu em Bauru um debate com representantes sindicais de diversas categorias de trabalhadores. Da discussão participarão o prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), que recebeu apoio político da CUT no pleito em que foi eleito para o Palácio das Cerejeiras em 2008, e representantes de entidades sindicais da cidade e região.

A CUT avisa que irá combater medidas que precarizem a condição para o trabalhador exercer seus direitos trabalhistas. A estratégia é de polarizar o debate político opondo uma “agenda negativa” a uma “agenda positiva”. O presidente da CUT de São Paulo, Sebastião Geraldo Cardozo, define que, há seis anos, houve uma inversão da pauta de discussões, com a tal “agenda positiva” favorecendo os trabalhadores.

Entre as melhorias, ele cita o aumento real do salário mínimo e da renda do trabalhador que se impuseram no lugar da “agenda negativa”. Na época, a “negativa” era pautada pela reposição do salário mínimo apenas com a inflação acumulada em 12 meses, flexibilização das relações trabalhistas, perda de direitos dos trabalhadores e combate ao direito de organização sindical. Para Cardozo, a “agenda positiva” implicou em uma recomposição do valor do salário mínimo que valia 100 dólares há cerca de seis anos e, desde 1 de fevereiro, passou a valer 200 dólares, com o reajuste de 12,04% definido pelo governo federal.

Porém, a crise financeira, estopim para desmantelar o crédito e disseminar desconfiança no sistema econômico mundo afora, também será combustível para redefinir o embate político nas eleições do ano que vem. Com essa avaliação, a CUT traça a mobilização dos trabalhadores, organizados em torno dos sindicatos, para abafar a “agenda negativa”. Para Cardozo, a pauta contrária aos interesses do trabalhador será utilizada por políticos e por setores empresariais afinados com a redução da jornada de trabalho, com a diminuição de salários e flexibilização, com perda daquilo que os trabalhadores conquistaram nos últimos seis anos.

O presidente da CUT em São Paulo entende que são importantes os instrumentos já implementados pelo governo federal para minimizar a crise, apesar de haver discórdia por parte da central sindical. Ele ressalta que muitas empresas estão se benficiando das medidas, como redução de impostos, linhas de crédito e outros mecanismos, porém mantém as demissões. “A CUT não irá fazer acordos de redução de salários e jornada, benefícios e direitos. O empresariado não faz seu papel e outros agentes políticos, com interesse na ‘agenda negativa’ também não cumprem seu papel”, justifica o dirigente da CUT.

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