Washington - O Senado dos Estados Unidos aprovou ontem, após uma longa negociação e diversas modificações, o novo pacote de estímulo à economia dos EUA, defendido pelo presidente Barack Obama. Na forma como foi aprovada, a medida ficou em US$ 838 bilhões - pouco acima do valor em que estava até antes da votação na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) em 28 de janeiro, US$ 825 bilhões.
Agora, com a aprovação, os senadores irão precisar realizar uma sessão conjunta para harmonizar o texto com o que foi aprovado pelos deputados no dia 28 de janeiro. A previsão é de que até sexta-feira o pacote seja enviado a Obama para ser sancionado.
Quando aprovado na Câmara, o valor foi modificado para US$ 819 bilhões. Ao chegar no Senado, as alterações começaram e o montante ficou em mais de US$ 900 bilhões. Na última sexta-feira, porém, republicanos e democratas chegaram a um novo acordo para votar um pacote de US$ 780 bilhões. E ontem, por fim, o Senado decidiu que a medida que iria à votação teria um valor de US$ 838 bilhões.
O projeto vem sendo criticado pelos republicanos, que não deram um só voto ao pacote na Câmara. A principal queixa da oposição é que ele o projeto fará aquilo que o presidente tem destacado como seu principal componente: criar empregos. Obama defende que o plano de estímulo irá criar entre três e quatro milhões de empregos.
Dinheiro pode ser pouco
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, garantiu ontem, no Senado, que não está pedindo fundos adicionais para salvar os bancos, mas admitiu não poder, “honestamente”, descartar tal possibilidade.
Timothy Geithner apresentou ontem um programa de três etapas para restaurar a estabilidade do setor bancário do país. A ajuda em conjunto do Departamento do Tesouro, do Federal Reserve (Fed, o BC americano) e do setor privado pode chegar a US$ 1,5 trilhão.
Desse total, US$ 500 bilhões serão usados para retirar ativos “podres” (difíceis de serem vendidos) dos bancos e US$ 1 trilhão será oferecido ao mercado na forma de novos empréstimos.
Segundo o secretário, governos e bancos centrais no mundo todo “praticaram políticas que (...) causaram uma enorme expansão do crédito, elevando os preços dos imóveis e o mercado financeiro a níveis que desafiavam a gravidade”.
“Investidores e bancos assumiram riscos que não entendiam”, afirmou.
Bom começo
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que a aprovação do pacote de estímulo à economia no Senado foi “uma boa notícia” e “um bom começo”.
Obama agradeceu os legisladores pela aprovação, mas destacou que ainda há trabalho por fazer.
“O Senado e a Câmara ainda precisam trabalhar nos detalhes, o que significa que teremos mais trabalho pela frente. Mas é um bom começo”, disse Obama, que recebeu um bilhete de um assessor com a notícia da aprovação enquanto falava a uma plateia em Fort Myers, Flórida.
Bolsas
O mercado financeiro internacional reagiu negativamente ao anúncio do pacote de resgate de US$ 1,5 trilhão aos bancos e à aprovação do plano de estímulo econômico do presidente Barack Obama. A Bolsa de Valores de Nova York fechou em queda de 4,62%. A Nasdaq caiu 4,20%.
As principais bolsas europeias despencaram no final do pregão. A Bolsa de Valores de Londres recuou 2,19%, Frankfurt teve perdas de 3,46% e Paris registrou desvalorização de 3,64%.
No Japão, a Bolsa de Valores de Tóquio perdeu 0,3%.