Inoperante. É desta forma que a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) se encontra há quase 13 anos na cidade. Desde quando foram entregues os dois últimos núcleos habitacionais, em 1996, José Regino e Bauru 22, a companhia limitou-se apenas a administrar seus contratos ativos.
Hoje, de acordo com a assessoria de imprensa da Cohab, existem ainda 6.389 contratos ativos dos 17.720 celebrados em Bauru. Boa parte deles estão inadimplentes, alguns há oito e até 12 anos, e outros mutuários entraram na Justiça contra a companhia para rediscutir os valores cobrados e os prazos de pagamento. Boa parte dos contratos inadimplentes ou que estão na Justiça é do Mary Dota, o maior núcleo horizontal da América Latina, com 3.638 moradias.
Sem receita, a companhia também não consegue saldar suas dívidas, que quase chegam a R$ 800 milhões. E sem saldar ou pelo menos ter dinheiro para renegociar esse montante, a Cohab permanecerá apenas administrando seus contratos.
Edison Bastos Gasparini Júnior, atual presidente da companhia, acredita que ainda no primeiro semestre as dívidas com seguro habitacional e com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) serão renegociadas e para 2010 a Cohab poderá novamente buscar dinheiro no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) para voltar a construir.
Gasparini Júnior avisa aos mutuários com prestação em atraso que não haverá perdão de dívida, mas que a companhia está disposta a renegociar os débitos pendentes. “Muita gente fala que a Cohab não quer conversa, mas temos aqui gente que já renegociou sua dívida três ou quatro vezes e não pagou uma só parcela”, conta. “Nós vamos retomar o imóvel de quem não pagou e passá-lo para quem está na nossa fila de espera há anos e quer pagar”, garante.