Política

Piada com FHC, cigarrilha e café

Fábio Zambeli
| Tempo de leitura: 2 min

A entrevista concedida por Lula à Associação Paulista de Jornais começou com o presidente irritado. Ele reclamou dos ajustes que teve de fazer na cadeira em que sentou, às 9h27.

O petista chegou à sala de reuniões que fica ao lado de seu gabinete no Planalto acompanhado do ministro Franklin Martins (Imprensa). Ao se acomodar, virou-se para o assessor. “Eu não sei por que sempre tenho que ajustar a cadeira. Teoricamente, só eu sento aqui”, disse.

Em seguida, tentou quebrar o gelo com uma brincadeira com seu antecessor. “Se estiver alguém sentando aqui, é perigoso. Esse negócio de sentar na cadeira antes da hora é muito ruim. Dá azar. Lembram-se do Fernando Henrique Cardoso?”, perguntou aos jornalistas. Ele fazia alusão ao episódio em que o ex-presidente se antecipou à eleição e posou para uma foto no gabinete da Prefeitura de São Paulo, antes de ser derrotado por Jânio Quadros.

Lula, como é hábito, fumou a primeira cigarrilha 29 minutos depois do início da entrevista.

Durante o encontro, ele acendeu duas unidades da marca ‘Café Créme’, de origem holandesa —o petista consome dez diariamente, em média.

Tomou duas xícaras minúsculas de café e explicou o motivo: “Os médicos me recomendaram. Como tomo muito café, uso uma xícara menor. É uma maneira de reduzir a cafeína”.

No decorrer da conversa, o ministro Franklin Martins mostrava, ao sinalizar com a cabeça, que concordava com as declarações mais assertivas de Lula a respeito da ‘transformação do país’ sob sua gestão.

O jornalista não fez nenhuma intervenção durante a entrevista —exceto no momento em que advertiu os colegas para os cinco minutos finais de perguntas (que foram extrapolados em outros 25 minutos).

DESENVOLTURA- Lula falou por 1h10 e mostrou desenvoltura de quem conta com 84% de aprovação popular. Não escapou de respostas sobre sua sucessão e demonstrou conhecer a fundo os projetos estruturantes do PAC.

Tinha em mãos relatórios sobre obras no interior, mas não recorreu sequer uma vez ao expediente para consultar dados.

Visivelmente contrariado com o curativo que exibia na mão esquerda por conta de uma tendinite, Lula desabafou: “Isso incomoda. Mas foi ordem do acunpunturista...”

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