Política

Combater enchentes não é prioridade

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Já faz algumas décadas que todo verão é a mesma coisa. Basta chover forte durante dez minutos para as principais avenidas de Bauru se converterem em corredeiras, cuja força é suficiente para levar carros, pedaços de asfalto e pessoas. Embora, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, o município reúna condições geográficas para sanar o problema, as obras de contingenciamento de águas pluviais não são prioridades para a prefeitura. Ela é encarada como algo muito importante, que precisa ser solucionado, mas antes vêm outras preocupações.

Indicadas como a melhor opção para combater os efeitos das enchentes, as barragens de contenção das água da chuva, estimadas entre R$ 5 milhões e R$ 9 milhões cada uma, necessitariam de recursos estaduais e federais para serem realizadas, uma vez que o município não tem condições para bancar essas obras sozinho.

Porém, a solicitação de tais recursos não consta nas pautas das reuniões previstas para serem realizadas entre a Prefeitura de Bauru e os governos estadual e federal. A informação é confirmada pela vice-prefeita da cidade, Estela Almagro (PT), responsável por intermediar os contatos entre o município e a União, e pelo subsecretário da Casa Civil do Estado de São Paulo, Rubens Cury (PSDB).

Estela teve reunião em Brasília na última semana. Segundo ela, a prioridade colocada para o governo federal é o tratamento do esgoto, cuja obra pode chegar a R$ 100 milhões. As obras de combate às enchentes também não ficarão baratas. Por isso, a vice-prefeita diz que é preciso escolher uma, já que dificilmente o governo irá liberar recursos para duas obras vultosas ao mesmo tempo. “Vamos ter de atacar um problema de cada vez”, avisa. Estela lembrou também a possibilidade de firmar parcerias com o governo do Estado.

Em contato com o subsecretário Rubens Cury, a reportagem foi informada que está sendo agendada uma reunião do prefeito Rodrigo Agostinho com o governador José Serra e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, além de Cury, ainda na primeira quinzena deste mês. Na pauta previamente definida não consta as obras de combate às enchentes.

De acordo com o subsecretário, isso não impede que o assunto seja incluído na discussão. Segundo ele, o governador Serra está aberto às conversas. Basta a prefeitura apresentar o projeto, com os custos e outros detalhes.

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