Tribuna do Leitor

Quando os preços dos combustíveis vão baixar?


| Tempo de leitura: 2 min

Nenhuma lei de mercado ou regra da economia mundial consegue emplacar no Brasil e o motivo é sempre o mesmo: a lei da ganância nacional sobrepõe às leis da economia mundial. O preço subiu porque estamos na entressafra, o preço subiu porque choveu demais e os produtos estão em falta, o preço subiu porque não choveu... Enfim, tudo é desculpa para ganhar mais e nunca diminuir os preços dos produtos.

Nem a crise que afeta a economia mundial nem a queda de um planeta do nosso sistema solar, nada será capaz de intervir na cadeia de preços nacionais. O governo faz a sua parte e ao contrário do mundo civilizado não reduz impostos, não reduz o déficit público e jamais vai permitir que a taxa de juros seja de um dígito. O Japão, a Grã Bretanha, os EUA e demais países estão todos errados. Ninguém entende nada de economia. Certos estão o Lula, o Meirelles e o Mantega.

O preço obsceno dos nossos combustíveis (álcool, gasolina e diesel) é a maior prova dessa tese. Hoje mesmo o preço do álcool em Bauru está em torno de R$ 1.399 o litro nas bombas de combustíveis da cidade. A gasolina não sai por menos que R$ 2.399 o litro. Isso independente da oscilação do dólar, do mercado externo e de qualquer outro mecanismo de análise utilizado.

O barril de petróleo no Exterior variou nos últimos meses de U$ 140,00 (cento e quarenta dólares) no pico até U$ 38,00 (Trinta e oito dólares). O Brasil atingiu a meta de auto-suficiência na prospecção de petróleo e ainda descobriu milhões de toneladas de petróleo abaixo das barreiras do pré-sal. Mesmo assim, a gasolina que usamos com 23% de adição de álcool e um percentual desconhecido de impurezas jamais tiveram seu preço diminuído pelo governo Lula.

A plantação de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo ocupa a maior parte das terras produtivas e, mesmo assim, com plantio constante e colheitas cada vez maiores, sem que haja problemas de quaisquer natureza ou entressafras, o álcool chega às bombas com preços abusivos, intermediados por recuos estratégicos seguidos de novos aumentos sem explicação plausível.

Os usineiros riem à toa, auferem lucros nababescos e ainda por cima têm acesso a linhas de crédito do BNDES para seus projetos e expansões de ganhos. Tratamentos bem diferentes daqueles que são dados aos agricultores, comerciantes e empresários em geral. Para eles, a lei e os regulamentos burocráticos.

Hoje, o litro de ouro, digo de álcool, é equivalente a 58% (cinqüenta e oito por cento) do valor do litro de gasolina no Estado de São Paulo. A Venezuela e a Argentina praticam preços menores para a gasolina que, segundo consta, é de qualidade muito superior à nossa. E a Petrobrás segue dando show de lucros mirabolantes, enquanto os consumidores continuam indo as oficinas mecânicas trocar suas bombas de combustíveis danificadas por utilizar combustíveis idênticos à qualidade dos nossos políticos.

Rafael Moia Filho

Comentários

Comentários