A partir do momento que paramos de crescer, começamos a envelhecer. E isso ocorre na faixa dos 20 e poucos anos. Portanto, quanto mais cedo se precaver e seguir algumas orientações médicas, maiores serão as chances de chegar à terceira idade de forma saudável.
Segundo o médico geriatra Luciano Camargo, não há como falar em envelhecimento saudável sem passar, necessariamente, por pelo menos três tópicos importantes: a prática de atividades físicas, alimentação e prevenção de doenças crônicas.
Graças aos avanços científicos, chegou-se à conclusão de que fatores genéticos pesam apenas 40% na maneira como o ser humano envelhece. Por isso, cuidar do corpo na época em que ele está funcionando com pleno vigor pode ter uma grande importância no futuro. Deixar para se preocupar com isso apenas quando aposentar é desperdiçar a chance de viver uma velhice com qualidade de vida.
Portanto, deve-se começar já a praticar atividade física regularmente, a comer de forma saudável e procurar o médico para agir preventivamente. O esforço para chegar à terceira idade com saúde deve ser comparado com a ação de quem poupa dinheiro para uma aposentadoria tranqüila. É investir agora para usufruir mais tarde.
Começando pela atividade física, a recomendação do geriatra é manter uma freqüência mínima de pelo menos três vezes por semana. Segundo Camargo, tem muito paciente que pensa que o fato de ir ao mercado ou ao banco a pé conta como atividade física. “Isso não conta. Pode colaborar, mas não pode ser a principal atividade”, afirma.
Segundo o geriatra, quando a pessoa vai caminhando até o banco, ela normalmente pára para conversar ou ver alguma coisa. “A cada parada, começa tudo de novo, o exercício não tem uma continuidade, você quebra o ritmo e isso não é bom”, frisa.
Quanto ao hábito alimentar, Camargo diz que é preciso dar preferência às frutas, legumes, verduras, diminuir as frituras, assim como o consumo de gorduras, do açúcar, da bebida alcoólica e do cigarro. Outra recomendação é fazer pequenas refeições várias vezes ao dia. Procedendo desta forma, a pessoa facilita a digestão e sobrecarrega menos os órgãos que trabalham no processamento do alimento.
Continuando com as dicas de como assegurar uma velhice saudável antes de envelhecer, Camargo recomenda visitar o médico com regularidade. Segundo ele, é importante ir ao médico mesmo quando não se está doente. Somente assim dá para agir de forma preventiva.
“Quando a pessoa está doente, ela tem de procurar o médico, do contrário nós vamos apenas correr atrás do prejuízo. O mais importante é agir de forma preventiva para dar tempo de corrigir alguma alteração no organismo”, recomenda.
As doenças que mais atrapalham a qualidade de vida dos idosos são hipertensão, diabetes, osteoporose e osteoartrose. A depressão é outra patologia que preocupa bastante. “É errado pensarmos que depressão é normal no idoso, ela não é normal em faixa etária nenhuma”, afirma o geriatra. “Ela pode ser comum no grupo da terceira idade, mas não é normal”, enfatiza.
De acordo com o médico, a depressão é comum especialmente em aposentados. Isto porque, de uma hora para outra, eles deixam de ser produtivos e passam a se sentir inúteis. O fato de perderem o contato com os colegas de trabalho reduz a vida social dessas pessoas. Elas tendem a se isolar e a ficar “presas” dentro de casa.
O Mal de Alzheimer é outra doença que compromete a qualidade de vida dos mais velhos. A doença não tem cura, mas quanto mais cedo for diagnosticada mais fácil fica para retardar sua evolução. Nesse caso, as atividades social e intelectual entram como um remédio poderoso. Segundo Camargo, essas atividades são a fisioterapia do cérebro.
Por esse motivo, ele se classifica como um dos maiores incentivadores dos programas voltados para a terceira idade.
A recomendação, segundo ele, aumentou muito depois que os programas voltados para os idosos mudaram de perfil e deixaram de oferecer tricô e crochê para mulheres e dominó e baralho para os homens.
Foram incorporadas outras atividades, como aula de dança, de espanhol, de inglês, de ioga, de pintura e tantas mais que ajudaram a tornar mais intensa a vida social, intelectual e de lazer dos idosos.