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Mocidade encanta Anhembi com enredo sobre coração


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São Paulo - As escolas de samba do Carnaval de São Paulo detentoras dos últimos oito títulos encerraram os desfiles no Anhembi na madrugada de ontem novamente como favoritas - com destaque para a Mocidade Alegre. Se Vai-Vai, Gaviões da Fiel e Império de Casa Verde tiveram ou dificuldades para manter a evolução dos componentes ou recepções frias do público, a Mocidade encontrou equilíbrio entre técnica e empatia.

Com um enredo sobre o coração, a Mocidade encantou o público com sua bateria coreografada, que performava um coração na avenida. Trouxe tanto um carro sobre o órgão, com uma trupe de artistas circenses saltando em uma cama elástica e fazendo acrobacias, quanto um sobre o símbolo do amor, aqui o Moulin Rouge -”cenário de paixões”- e suas seis dançarinas de cancã.

Mas o que realmente roubou a cena no Anhembi foi o carro de 55 m de comprimento da Império de Casa Verde, que fechou o Carnaval de São Paulo com um tigre de 14 m - ele usava até uma espécie de trem de pouso para se movimentar e rugia a cada minuto na avenida.

A escola, que prometera dois bolos gigantes para serem comidos (e que não foram vistos), afirma ter sido esse o maior carro da história do Carnaval. A agremiação, na celebração de seus 15 anos, falou de feriados.

Após ficar de fora do Grupo Especial duas vezes nos últimos cinco anos, a Gaviões da Fiel fez um desfile técnico, repleto de efeitos especiais - havia até um globo da morte no maior dos carros, com dois motociclistas. Mas a escola, frequentemente aclamada pela arquibancada, neste ano obteve uma recepção morna.

Carros acoplados

Já a Vai-Vai, que tenta o bicampeonato com seu enredo sobre a saúde, agradou o público, que agitava em massa as milhares de bandeiras distribuídas momentos antes e cantou o samba-enredo durante a paradinha da bateria e o silêncio dos puxadores.

Mas a escola acabou apressando os componentes na metade do desfile -seu abre-alas, com quatro carros acoplados, foi retardado por algumas alas e até pelas baianas e empurrado aos gritos para a dispersão.

A comissão de frente, formada por homens vestidos de animais com uma espécie de falo em riste, que cercavam uma bela passista, arrancou aplausos. E havia alas ricas (uma inteira com penas de pavão) e carros com alegorias articuladas (um com a deusa da varíola mexia da cabeça aos dedos). No último, sobre superação, havia destaques como o músico João Carlos Martins.

As mais simples

A Acadêmicos do Tucuruvi trouxe um desfile simples, porém criativo, sobre a história de Ouro Preto (MG).

Primeira a entrar na avenida no sábado, a Leandro de Itaquera fez o desfile menos luxuoso da noite, com carros pequenos e menos adereços. A escola teve que correr para terminar seu desfile sobre periferia, mas agradou o público -a começar pela presença ovacionada de Regina Casé.

E a Pérola Negra, segunda a ir para a avenida, também passou por corre-corre, empurra-empurra e muito choro depois de empacar a entrada do terceiro carro, que bateu numa torre da TV Globo e prejudicou a evolução.

De acordo com a Liga, nenhuma escola cometeu infrações que acarretassem perda de pontos. A escola campeã do Carnaval de São Paulo será conhecida na tarde de terça.

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