Em apenas cinco dias, o bairro Santa Fé registrou o segundo homicídio. Ontem, o desempregado Elias Galdino dos Santos, 53 anos, foi encontrado já sem vida num barraco recém-construído na quadra 1 da rua Guilherme Ranche. Na mesma via, porém na quadra 21, o corpo de um homem carbonizado também foi localizado, no último sábado. Com os casos, Bauru já soma oito ocorrências de morte violenta apenas neste ano.
Trata-se praticamente de um assassinato por semana, ao dividi-los pelos dois primeiros meses de 2009. E o número poderia ser maior. Mais uma vez no Santa Fé, o vigia Luiz Antonio Vieira foi espancado e levou um tiro de raspão quando tomava conta de um imóvel em construção. O crime ocorreu na terça-feira desta semana. Apesar da quantidade de ocorrências, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) considera precipitado relacionar os casos, inclusive os dois registrados na mesma rua e bairro.
No mais recente, os vizinhos ouviram anteontem à noite de três a quatro disparos. Uns, com medo, preferiram permanecer em casa e não comunicaram a polícia. Outros saíram à rua e não viram ninguém transitando por ela. Apesar de admitirem a coragem, aparentemente a “lei do silêncio” predomina no local. Santos foi atingido por dois tiros no coração, segundo o Instituto Médico Legal (IML). É possível que ele já estivesse dentro do barraco de apenas um cômodo que construía há cerca de dois dias.
Antes de mudar-se para o endereço, ele vivia num outro imóvel improvisado num ferro velho, no mesmo bairro, conforme a reportagem apurou. Foi reconhecido por uma moça, que o apontou como o marido de sua sogra. Nesta semana, Santos começou a erguer sua nova casa, no terreno onde um imóvel desocupado foi destruído de dentro para fora. O proprietário do terreno seria de Americana (SP), informaram moradores próximos. Em meio à alvenaria da antiga construção, a vítima erguia a residência de madeira. Dentro dela havia uma pia, garrafas, cama e mesa.
Santos foi encontrado caído de costas. Próximo dele havia um cachimbo de confecção artesanal como os utilizados por usuários de crack, que foi apreendido. No entanto, a DIG ainda não confirma o homicídio como resultado do tráfico de drogas. A Polícia Civil apreendeu ainda um projétil deflagrado. O assassinato levou vários curiosos ao local. Alguns diziam-se surpreendidos porque consideram o bairro calmo.
Outros comentaram que pretendem vender a casa e sair do local por conta das ocorrências. Ninguém, no entanto, aceitou a publicação do nome alegando questões de segurança. Porém, já a partir da próxima semana, a Polícia Militar (PM) realizará operações naquela região. As ações - que contarão com a Força Tática, canil, helicóptero Águia, cavalaria, Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e um contingente de homens a pé - contemplarão bairros como o Santa Fé, Fortunato Rocha Lima e Parque Jaraguá, por exemplo.
Apesar da preocupação, o comandante da 3ª Companhia da PM, capitão Fabiano de Almeida Serpa, não acredita que o Santa Fé seja mais perigoso que outros bairros por conta das recentes ocorrências. Ele não descarta a possibilidade de Santos ter sido morto por conta de suposta dívida com o tráfico.
Serpa esteve no local, assim como o delegado de plantão Ronaldo Divino e a equipe de homicídios da DIG, que já começou a investigar a ocorrência registrada como homicídio simples.