Biscoitos, doces, salgadinhos e sorvetes industrializados devem ser adaptados a novos ingredientes até o final de 2010. Um acordo entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) estabelece metas para eliminação dos teores de gordura trans dos alimentos industrializados.
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, acredita que o acordo é de interesse público. “Os fabricantes terão que ser criativos para substituir a gordura trans de alguns alimentos. A medida é interessante e vai fazer com que a saúde da população seja preservada”, afirma. Segundo ele, o prazo estabelecido é regular e não prejudicará o setor. “Já existem empresas que não utilizam a gordura trans e colocam isso em destaque na embalagem do produto. Isso funciona como marketing e mostra que a empresa sabe do mal que a gordura trans acarreta”, avalia Malandrino.
De acordo com o médico Walmir Coutinho, vice-presidente para América Latina da Internacional Association for the Study of Obesity e professor associado da PUC do Rio de Janeiro, a trans é a gordura mais agressiva ao organismo humano. “Um estudo revelou que a gordura trans é a mais prejudicial de todas e é a causadora de mais entupimentos de veias do organismo”, afirma o médico. A gordura trans é o tipo de gordura mais presente nos alimentos industrializados, uma de suas principais características é deixar o produto mais crocante. “Essa é a desculpa que muitas indústrias contam para continuar utilizando a gordura. Existem outros modos de deixar os alimentos consistentes”, diz o médico.
Como conseqüência do consumo excessivo, a gordura trans pode causar o aumento do colesterol ruim e a redução dos níveis do colesterol bom, além de diabetes e problemas cardiovasculares. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não existem relatos que mostrem os benefícios a saúde com o consumo da gordura trans. Sorvetes, batatas fritas, pastelarias, bolos e biscoitos estão na lista que deverá ser fiscalizada.
Para saber se o alimento que está consumindo contém gordura trans, basta olhar para a tabela nutricional no rótulo do produto. De acordo com a Anvisa, o valor da gordura deve ser declarado em gramas presentes por porção do alimento. Não existe uma quantidade ideal de gordura trans que deva ser ingerida diariamente. A recomendação da Anvisa é de que ela seja consumida na menor quantidade possível. Segundo um levantamento feito pelo Ministério da Saúde, até 260 mil mortes poderiam ser evitadas todos os anos com uma alimentação adequada da população.
Tipos de gordura
Existem três tipos de gordura: saturadas, insaturadas e trans. A gordura saturada, conhecida também como gordura animal, é encontrada em carnes gordurosas, banha de porco e frituras. Essa gordura aumenta a taxa de colesterol no sangue e o risco de doenças cardiovasculares. A gordura saturada é, muitas vezes, confundida com a gordura trans, mas elas não são iguais. “A gordura trans está presente basicamente nos alimentos industrializados, enquanto a saturada é uma gordura animal”, difere o médico.
Já a gordura insaturada, também chamada como vegetal, é a menos agressiva ao organismo. Essa gordura provém de sementes e nozes, óleo vegetal e azeite de oliva. “Esses alimentos não são maléficos ao organismo, mas também devem ser consumidos com cuidado porque são gorduras”, avalia Coutinho.
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Conheça os tipos de gordura
Saturada - Encontrada no óleo e derivados de coco, bacon e banha de porco, carnes gordurosas e laticínios integrais como manteiga e alguns tipos de queijo. Essa gordura aumenta a taxa de colesterol no sangue e o risco de doenças cardiovasculares.
Insaturada - Encontrada em azeite de oliva, abacate, sementes e nozes. Reduz o colesterol ruim. Mas deve ser consumida com moderação.
Trans - Encontrada em batata frita, chocolate, sorvetes, margarina e biscoitos amanteigados. Aumenta o colesterol e o risco de doenças cardíacas.