Assim como a senhora Laura (Terreno da Vergonha - 20/2/09), a quem parabenizo pela coragem e objetividade de seu relato, moro no Jardim Solange, próximo ao Terra Branca, há 10 anos.
Aqui é terra de ninguém. Crateras no asfalto, erosão invadindo as ruas, esgoto a céu aberto, matagal e lixo em terrenos abandonados, fogo no matagal. O velho oeste perde. Vez por outra passam, a cavalo, os ajudantes do xerife, fazendo a vistoria; mas logo somem na poeira, que não é pouca. Minha rua não tem asfalto, mas, vendo a situação das ruas vizinhas, é melhor deixar assim.
A rua Bolívia, paralela à minha, é trajeto de ônibus e está intransitável há anos, tanto para veículos quanto para pedestres, pois mato e terra já invadiram as calçadas, a ponto de se tornarem habitat de espécimes raras de lagarto. Se o Evo Morales visse, ia morrer de vergonha do nome da rua. Entrementes, nosso novo prefeito, a quem dei meu voto e confiança, cita nominalmente como prioridade do setor de obras o Jardim Ouro Verde, ora frequentando as manchetes como “reduto mor” do tráfico de drogas.
Ou seja, enquanto os traficantes do Ouro Verde ganham asfalto, cidadãos que trabalham e pagam impostos, inclusive um dos IPTUs mais caros da cidade, ficam literalmente às moscas (e toda sorte de insetos e animais peçonhentos, como bem citou a senhora Laura).
Ednaldo Calahani - E-mail: calahani11@ibest.com.br