É impressionante como a poetisa Sônia Brandão joga com o texto para criar poemas com um mínimo de palavras. Não se trata do haicai, poesia minimalista japonesa de grandes poetas como Bashô, Issa e Buson. Também não se trata de preguiça, mas sim preferência pessoal. Sônia mostra em seu primeiro livro, Prenúncio, toda sua intimidade com a síntese e lucidez de pensamento. A autora sugere em 57 poemas um mergulho suave numa densa composição de idéias. No livro, costura suas impressões de vida abusando da natureza, com referência a pássaros, galhos, árvores, lagos, rios, flores e florestas. Mais onírica, lança mão de imagens como a da lua, da noite, da aurora, do tempo, do escuro, da luz, da estrada da morte e de anjos. Lá pela página 44, Sônia estimula o leitor a pensar com o poema “Decisão”: “Entre morrer e não morrer/escolhi as palavras./Voam de minhas mãos/como pássaros ou punhais”.
É difícil imaginar Sônia arremessando punhais. Mas no plano poético, seus cortantes punhais-poemas, elaborados em linguagem poética, pedem atenção. A síntese na obra de Sônia está até na escolha das dimensões do livro impresso no formato 12 por 18 centímetros, praticamente de bolso.
Seu conteúdo foi retirado de uma grande produção, iniciada com “Prenúncio”, poema título da publicação, e escrito, provavelmente, em 1978 ou 1979. A poetisa recorda que “Prenúncio” saiu durante uma viagem a São Paulo. “De estalo, falei no ônibus. Achei que valia a pena”, relembra.
Até a definição do que entraria no livro, Sônia promoveu mudanças com eliminação e acréscimo de poemas.
Casada com o escritor e poeta José Carlos Mendes Brandão, Sônia nunca se viu inibida a escrever, porém dedicou maior cuidado por estar ao lado de um crítico carinhoso. Ela sempre absorveu a opinião de José Carlos pela certeza de que o esposo é um poeta que sabe do que fala. “Fui criando coragem e ele sempre me falava: ‘escreve, escreve, joga fora, começa de novo’. Também opino sobre os poemas dele e, agora, me sinto mais segura”, explica.
Formada em ciências, com especialização em biologia, Sônia dedicou 27 anos ao magistério com aulas na rede de ensino estadual. O gosto pela escrita veio na adolescência incentivada pelo gosto da leitura de tudo que lhe chegava às mãos. “Daquilo que escrevi naquela época, não aproveitei nada”, sorri.
Eclodiu
O ano de 2008 marca a celebração da poesia de Sônia com premiações e a edição de um livro. No dia 17 de novembro do ano passado, sua primeira publicação impressa foi lançada em uma noite de autógrafos no Automóvel Club de Bauru. Venceu as etapas local, regional e estadual do Mapa Cultural Paulista edição 2007-2008. Em todo o Estado, Sônia foi escolhida com outros 14 autores para receber um prêmio de mil reais e uma placa. A premiação foi conquistada com o poema “Gruta”, que integra seu livro. A poetisa foi classificada na quinta colocação na fase final da edição 2003-2004 do Mapa Cultural.
Também recebeu menção honrosa na edição do ano passado do Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody, em Curitiba, Paraná, com “O sorriso do sapo”, poema que ficou de fora de Prenúncio por destoar do conjunto de textos. “É muito nonsense”, define Sônia. Ela já havia recebido menção honrosa na edição 2006 do Helena Kolody.
Sônia também ocupa a Internet com seus poemas que podem ser conferidos no site http://www.overmundo.com.br/perfis/sonia-brandao ou no blog http://passaroimpossivel.blogspot.com/.
• Serviço
O livro Prenúncio pode ser adquirido na loja Extinção 8-17, na rua Cussy Júnior, número 8-17, e outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3018-1733 ou pelo e-mail soniaknaffls@gmail.com.