Internacional

Presidente é assassinado por militares

Folhapress
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Bissau - O presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, foi assassinado ontem por soldados, horas depois do chefe do Exército do país, Na Wai, ser morto em atentado a bomba, na noite de anteontem, em aparente golpe de Estado (veja quadro).

Uma delegação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) partiria ontem para a Guiné-Bissau. João Gomes Cravinho, secretário de Estado de Assuntos Exteriores de Portugal, irá comandar a delegação, integrada também pelo secretário-executivo da CPLP, Domingos Simões e o ministro de Assuntos Exteriores de Cabo Verde, José Brito.

A delegação da CPLP deve se reunir hoje com representantes do governo da Guiné-Bissau. Anteriormente, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, anunciou que o governo iria propor a visita de uma delegação da CPLP à Guiné-Bissau “o mais rápido possível”.

O presidente do Parlamento, Raimundo Pereira, deve assumir interinamente o poder por um período de três meses, prazo previsto para convocar eleições presidenciais, segundo a Constituição da Guiné-Bissau.

Vieira foi autor do primeiro golpe de Estado militar no país, em 1980, e passou cerca de duas décadas sofrendo tentativas constantes de novo golpe. Em 1994, realizou e ganhou as primeiras eleições livres do país. Cerca de cinco anos depois, em 1999, foi derrubado por rebeldes da oposição. Em 2005, voltou ao poder reeleito nas eleições nacionais sob promessas de desenvolver a economia no país e a reconciliação nacional.

Nascido em Bissau, Capital guineense, em abril de 1939, Vieira foi eletricista antes de seguir carreira militar. No Exército, foi uma das figuras da “luta de libertação nacional” protagonizada por 11 anos contra o domínio do império português.

Parte da etnia Pepel, uma das menores de Guiné-Bissau, ele teve grandes discussões ao longo da vida política com políticos da etnia Balante, uma das maiores do país, da qual fazia parte Na Wai.

Desde 1962 Vieira foi fiel seguidor de Amilcar Cabral, fundador do Partido Africano para a Independência de Gunié-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) e que se tornou o herói da independência nacional, em 1974.

Em 1973, foi eleito como membro do Secretariado Permanente do PAIGC e, depois, presidiu a Assembleia Nacional do Povo. Logo, chegou a ministro das Forças Armadas. Em 1978, foi eleito Comissário Principal, cargo equivalente ao de primeiro-ministro.

Em novembro de 1980, o primeiro presidente do país independente, Luis Cabral, parente de Amilcar, foi derrotado em golpe de Estado encabeçado pelo então primeiro-ministro Vieira. O general assumiu como ditador e ficou no poder por quase duas décadas.

O regime de Vieira estabeleceu o caminho para uma economia de mercado e um sistema multipartidário, mas foi caracterizado também pela supressão da oposição política e atentados contra rivais políticos.

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