Política

ECT tenta reverter rescisão com DAE

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A direção Regional dos Correios (ECT) quer se reunir com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para discutir a manutenção do contrato de leitura, impressão e entrega das contas de consumo de água, cujo serviço é realizado pela estatal federal desde o governo anterior. Ontem, Agostinho disse que vai ouvir a ECT e discutir a questão junto ao presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Paulo Campanha.

A decisão de receber o diretor Regional dos Correios, Luiz Roberto Pagani, pode alimentar mudança de posicionamento do governo municipal em relação ao contrato estabelecido pelo governo anterior. Agostinho disse que não vai se furtar a ouvir a exposição da ECT, mas não adiantou que medida será adotada em relação ao assunto.

Entretanto, nos últimos dias, o presidente do DAE, Paulo Campanha, apresentou dados preliminares à imprensa e ao líder do prefeito na Câmara, vereador Renato Purini (PMDB), dizendo exatamente que o custo do serviço não era adequado e que, de outro lado, um estudo leva em conta a viabilidade do DAE comprar as máquinas de leitura, deixando de depender dos Correios.

Na semana passada, o presidente do DAE anunciou no JC que estava realizando perícia com os antigos leituristas. Pelo menos 20 deles estão em condições de serem aproveitados. Munido de todas essas informações repassadas pelo DAE, o líder do Executivo na Câmara, Renato Purini (PMDB), defendeu a rescisão do contrato em plena sessão ordinária.

Mas, para espanto de Purini, Paulo Campanha deixa em aberto qual medida será adotada pela autarquia em relação ao contrato. O líder do prefeito disse, ontem, que aguarda explicações do presidente do DAE a respeito do que imagina ser uma reviravolta na pretensão da direção da autarquia de suspender o contrato com a ECT. “Porque ele está mudando de opinião, eu não sei. Qual o motivo, eu não sei. Caminha para isso (suspender o contrato), eu não sei. ‘Caminhar para isso” é diferente de ‘ser isso’. Ele falou que era e, agora, ‘caminha para’ (suspender o contrato). E agora vem falar em aditivo (contrato com a ECT). Me desculpe, é muito devagar”, critica.

Purini classifica de ruim a situação desenhada no episódio. “Porque parece que é algo pessoal. Sempre fui ético em nunca citar nome, nem dessa administração e nem da anterior. Sempre disse que não é problema com ninguém, apenas em cima de um contrato. E que agora, a dúvida que eu tinha que era jurídica, foi ele (Campanha) quem falou que há prejuízo”, salienta.

Ou seja, Purini frisa que suas manifestações sobre o tema se basearam nas informações obtidas junto ao próprio DAE sobre o contrato com a ECT. “Tive a prudência de pedir na Tribuna da Câmara a suspensão do contrato e não o cancelamento, até porque há uma demanda judicial em cima desse contrato até que fosse analisado o mérito da questão”, reafirma.

A cada mês, o DAE repassa R$ 130 mil ao ECT, que cobra R$ 1,30 pela leitura de cada hidrômetro com a cidade tendo mais de 100 mil aparelhos. Em 2008, o custo do serviço a R$ 1,30 gerou despesa de R$ 1.564.382,65.

Paulo Campanha disse ontem, por intermédio da assessoria de imprensa, que “não teve a intenção de desmentir o líder do prefeito”. O DAE reforça que a “tendência é pelo rompimento do contrato”. A autarquia espera concluir o estudo de viabilidade nesta sexta-feira.

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