Eis aqui um caso interessante de consultoria: Certa vez fui chamado por uma empresa produtora de flores, localizada em Holambra, Interior do Estado de São Paulo. Minha tarefa principal era convencer a proprietária a vender parte de um grande terreno, localizado naquele município, para saldar débito bancário, com taxa de juros exorbitante que corroia a saúde financeira da empresa. Convidado por um dos seus filhos e munido de muitas informações, procurei sensibilizar e conscientizar essa senhora - de origem holandesa - dos riscos que a organização corria.
Relutando em aceitar a minha sugestão, ela repetiu algumas vezes as frases “a abundância de hoje realmente não é a segurança do amanhã” e “a venda desse terreno é como tirar uma parte do meu corpo”.
E foi com a frase “é preferível perder um dedo do que perder um braço” que consegui convencê-la da importância da aprovação da venda.
Mas foi nos momentos finais da reunião que insisti em saber se não havia alternativa de fazer dinheiro.
Foi quando o filho mais novo, de forma criativa, sugeriu vender parte das palmeiras imperial de mais de 20 anos que embelezavam a entrada da fazenda. Surpreendi-me, pois cada unidade daquela planta custava, na época, por volta de R$ 19.000,00 e bastava apenas a venda de 35 para resolver o problema. Foi a solução aprovada. Para mim, ficou uma lição: “Realmente existem muitas possibilidades de se resolver um problema”. O nosso grande problema foi que a escola do passado nos ensinou que para cada problema existem apenas algumas soluções e não nos estimulou a pensar o novo. Com isso, nos autolimitamos através de determinados paradigmas e encontramos muitas dificuldades para aceitar de imediato o novo.
A adversidade surge como grande oportunidade para nos libertarmos do velho. Nos força a olhar, pensar, refletir e experimentar o novo.
Por exemplo, a crise financeira internacional trouxe muitas novidades. Os países aprenderam a importância de terem planos A, B e talvez C. Refletiram na necessidade de independer de um único país - os Estados Unidos. Em outras palavras: pulverizar as exportações. As nações terão de abrir a mente e ter humildade de procurar soluções em países em desenvolvimento; Os países mais ricos estão menos prepotentes; Reforçamos a idéia de que o mundo realmente dá muitas voltas. Hoje, você está por cima; amanhã poderá estar por baixo. Os americanos com suas escolas aparentemente evoluídas não perceberam que estavam acomodados em “viver para consumir” e agora terão que “consumir para viver”. Nesse caso não será fácil, considerando que não foram preparados para escassez. As mentes brilhantes daquele país não perceberam esse tipo de detalhe. Realmente, a vida é arquiinimiga da acomodação. Viva a Vida.
Davison de Lucas - diretor da M.Davison & associados Consultor Organizacional e Palestrante