Horsham, Inglaterra - Ministros das Finanças do G20 prometeram ontem recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar países em dificuldades e disseram que usarão todo o seu poder monetário e fiscal para combater a pior crise financeira em décadas.
“Estamos comprometidos em entregar a escala necessária de esforço sustentado para restaurar o crescimento”, afirmaram os ministros em um comunicado conjunto do G20 que também disse que o FMI e bancos multilaterais de desenvolvimento devem receber os recursos necessários para operações de resgate.
Separadamente, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, disse que “mudanças enormes” estavam prestes a acontecer na regulação dos mercados financeiros, notavelmente na supervisão de hedge funds e em outras áreas hoje apenas levemente reguladas.
O comunicado, divulgado pelos ministros depois de suas conversações para preparar encontro presidencial do G20 em 2 de abril, disse que os hedge funds devem ser registrados e prestar informações que permitam um controle do risco. Ele disse que a prioridade máxima agora é fazer com que o crédito volte a fluir.
Os ministros essencialmente passaram por cima de divergências em relação à ênfase e urgência a ser dada aos gastos públicos como medida anti crise de um lado e regulação de outro.
Não houve também uma posição mais clara dos EUA sobre como o país planeja colocar em ordem a massa falida dos bancos, o que muitos dizem ser essencial para fazer a economia mundial andar novamente.
Esse fato mudou o foco primário para o esforço de assegurar garantias de que o FMI, o Banco Asiático de Desenvolvimento e outras agências tenham poder financeiro para ajudar os países em dificuldade.
“Precisamos de um compromisso de que eles farão o que for necessário e por quanto tempo for necessário para apoiarem as economias”, afirmou Alistair Darling, ministro das Finanças britânico, anfitrião do encontro em um luxuoso hotel no interior do país.
Talvez ciente do êxodo massivo de recursos que ocorreu durante a crise asiática da década de 1990, Darling acrescentou: “Realmente precisamos tomar medidas para impedir que danos sejam causados às economias emergentes, que estão vendo o dinheiro sair dos seus sistemas”.
O FMI gastou quase US$ 50 bilhões ajudando países do Leste Europeu nos últimos meses e está pedindo que seus fundos de auxílio sejam duplicados para 500 bilhões de dólares, enquanto o Banco Asiático de Desenvolvimento também espera mais recursos.
Brasil, Índia, China e Rússia apoiaram o pedido. “É imperativo que instituições financeiras multilaterais expandam seus empréstimos para compensar o grande declínio”, disse um comunicado feito por Brasil, Índia, China e Rússia, que juntos formam um grupo de potências emergentes conhecido como BRIC.
O grupo e o restante do G20 equivalem a mais de 80% da produção mundial, que deve cair neste ano mais do que em qualquer outro ano desde a década de 1930, com a crise financeira que começou nos EUA em 2007 tendo prejudicado a confiança, a atividade, o comércio e o emprego em todo o mundo.