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Morre Pópolo, ícone da gastronomia

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Morreu na tarde de ontem o cozinheiro José Roberto Pópolo, 63 anos, dono da casa de culinária italiana Cantina Del Pópolo, uma das mais tradicionais de Bauru. Ele estava internado no hospital Beneficência Portuguesa desde o dia 26 de janeiro. Pópolo morreu por volta das 16h, após complicações decorrentes de uma infecção.

Em setembro de 2006, o chief de cozinha foi o personagem da Entrevista da Semana do Jornal da Cidade. Com seu bom humor característico, ele relatou à reportagem sua paixão pela gastronomia e como ela se transformou em profissão. Nascido em Botucatu, Pópolo era funcionário de uma seguradora de banco financeiro, e durante suas viagens conheceu muitas cantinas. Ele contou à reportagem que foi adquirindo experiência e treinando com os filhos, fazendo pizzas caseiras.

Logo, a experiência e muitos anos de estudo de culinária foram aplicados na cantina, onde Pópolo, filho de italianos, encantava os freqüentadores da casa com sua cantoria e brincadeiras. O Jardim Bela Vista foi durante 15 anos o endereço da sua cantina, que ele dizia ser um pedacinho da Itália em Bauru. Atualmente fica na rua Virgílio Malta, 15-84.

Sucesso que extrapolou as fronteiras de Bauru e um dos lugares mais queridos pelo chief, a cantina já foi procurada por celebridades como Regina Duarte, Taís Araújo, Luigi Barricelli, Antônio Fagundes, Chico Anísio e até Dercy Gonçalves. Além de se dedicar ao restaurante, durante cinco anos ele apresentou o programa “Cozinhando com Pópolo”. Recentemente, o cozinheiro divulgava suas receitas e sua história nos vídeos do site Guia da Gula (www.guiadagula.com). Na gravação, o bom humor de Pópolo é contagiante. E na entrevista concedida ao JC em 2006, ele explicou: “Você já viu mendigo careca? Não existe. Pois é, não tem gordo triste também”. A paixão pela comida também lhe rendeu diabetes, que lhe tirou a visão do olho direito e parte da visão do esquerdo. Apesar disso, Pópolo não dispensava uma boa massa e contou que comia pelo menos 500 gramas de pasta diariamente.

Pópolo deixa a esposa Neide, os filhos Sandra, Marcos, João Neto e Karina e os netos Ágatha, Nicolas e Gabriel. Sandra conta que o pai estava internado desde o dia 26 de janeiro para tratar de uma infecção. Nesses períodos teve momentos de recuperação, mas seu estado de saúde se agravou nos últimos dias. “Teve dias que ele chegou a cantar no hospital. Mas a diabetes e a obesidade acabaram agravando a situação. Há quatro dias sua condição foi piorando. Ontem (anteontem) ele foi levado à Unidade de Terapia Intensiva UTI), mas acabou morrendo poucos minutos depois de dar entrada”, conta.

“Era uma pessoa muito boa, sensível e de um coração enorme. Valorizava a amizade e as pessoas. Foi um pai maravilhoso, que sempre nos incentivou”, destaca Sandra. O corpo de Pópolo será velado até as 11h de hoje no salão nobre do Centro Velatório Terra Branca, na rua Gérson França, 5-5. De lá, segue para Botucatu, onde será velado por mais algumas horas antes de ser enterrado no jazigo da família, no Cemitério Municipal de Botucatu.

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