Ninguém admite, mas um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde mostra que 58% dos brasileiros usaram escova de dentes de forma esporádica ou inadequada - o mesmo produto foi usado por um período muito prolongado - em 2008. Mas como saber a hora de trocar a escova? Segundo o mestre em saúde coletiva pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Pianta, o ideal é trocar a cada três meses, calculando de três a quatro escovações diárias.
“No final deste período, ou até mesmo antes, as cerdas da escova de dentes começam a abrir, como se a escova estivesse sorrindo para você. Se a pessoa continua fazendo uso deste produto, não há efetividade da ação, pois a escova não remove as placas bacterianas e pode até machucar a gengiva”, afirma Pianta.
Segundo o dentista, a escova ideal para todas as pessoas, sem exceção, são as com cabeça pequena e cerdas macias. “A escova tem que chegar até os últimos dentes da cavidade bucal e, se ela for muito grande, ela não chega”, explica o dentista. “As cerdas duras são recomendadas apenas para escovação de próteses removíveis”, acrescenta.
O levantamento do Ministério da Saúde também mostra que é alto o número de brasileiros sem acesso algum à escova de dente. O quesito dificuldade financeira lidera o ranking de razões pelas quais mais da metade dos brasileiros não utiliza a escova de dentes de maneira adequada, seguido por desconhecimento.
A dificuldade financeira também é responsável pelo uso da mesma escova de dentes por mais de uma pessoa da mesma residência. “Isso é inadmissível e favorece a contaminação intra-familiar. Ao usar a mesma escova de dentes é possível transmitir doenças como a hepatite”, afirma Pianta.
Além da escovação diária (são recomendadas de três a quatro escovações, no mínimo, por dia), o especialista afirma que os acessórios, como o fio dental, também são fundamentais, além do uso de pouco creme dental. “Muitas pessoas colocam um grande volume de creme dental na escova e não conseguem escovar os dentes direito, não conseguem remover as placas. No caso das crianças, elas podem até ingerir o creme dental e engolir indiretamente fluor”, revela.
O ideal é escovar os dentes sempre após as refeições e, principalmente, antes de dormir. “Durante a noite há diminuição do fluxo salivar, agente que inibe a formação da placa bacteriana. Além disso, o PH da boca abaixa e há maior proliferação bacteriana”, finaliza Pianta.
Atualmente, o Ministério da Saúde possui 18 mil equipes de saúde bucal dentro do programa Saúde da Família, além de mais de 650 centros especializados dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A meta do governo é, até o final de 2009, incorporar kits compostos por escova e pasta de dente em 100% das equipes de saúde bucal - mil kits por equipe.
Há, ainda, a estratégia de distribuição de kits para alunos dos ensinos fundamental e médio, que pertencem a escolas públicas localizadas em áreas de baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) - um total de quase 1.200 municípios brasileiros. A expectativa é que, em um prazo máximo de dez anos, o País apresente um quadro de saúde bucal bastante diferenciado do atual.