Segundo Aristóteles, “o ato de imitar é uma vocação do ser humano”. Isso poderia nos levar à conclusão de que a antropofagia é comum entre nós. Mas não em período de crise econômica, onde o xenofobismo é quem reina. A principal diferença entre antropofagia e canibalismo é que a primeira tem finalidade vantajosa e construtiva, enquanto o segundo é de caráter inteiramente cruel.
Com o atual caos e o aumento compreensível da xenofobia, a antropofagia está sendo substituída pelo canibalismo. Os nativos querem garantir seus lugares em relação ao estrangeiro. E, ao invés de agirem como antropófagos, absorvendo a nova cultura, portam-se como canibais, querendo devorá-los. Todo e qualquer, seja pessoa ou produto, proveniente de fronteiras além, estão sendo vistos como ameaça. E como toda ameaça, estão sendo combatidos.
É praticamente impossível aliar dois opostos quando fatores endógenos e exógenos operam contra a harmonia. O ultra-nacionalismo, inerente da crise econômica, é a grande barreira dessa era, não sobrando lugar, assim, para a antropofagia. Em terra de recessão, xenofóbico é rei!
Thaíssa Honda - estudante