São Paulo - O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maurício Lemos Freire, deixou seu cargo à disposição do novo secretário de Estado da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Ele afirmou que ofereceu seu cargo durante uma reunião com o novo dirigente da pasta, que ainda não respondeu.
“Nós tivemos uma conversa ontem (anteontem), mas ainda não tem nada definido. Até por uma questão de educação (deixei o cargo a disposição), mas é ele quem deve definir quem fica ou não”, afirmou o delegado-geral.
Lemos Freire admite que a greve da Polícia Civil foi um momento crítico na gestão do ex-secretário Ronaldo Marzagão, que deixou o cargo no início desta semana. “É evidente que a greve foi um momento muito difícil para a polícia, mas o secretário sabe que a Delegacia Geral nunca se posicionou favorável à greve”, afirmou Lemos Freire.
Mesmo deixando o cargo à disposição de Ferreira Pinto, o delegado-geral disse acreditar que tem uma boa atuação diante do comando da Polícia Civil e que vai trabalhar “até o último minuto”. “A gente sempre acha que poderia fazer mais, mas acho que a polícia conquistou tudo o que era importante.”
Marzagão alegou “motivos estritamente pessoais” para deixar o cargo. O governador José Serra (PSDB) aceitou a demissão, ressalvando que considera Marzagão “um exemplo de integridade, lealdade e dedicação”.
Apesar da alegação de motivos pessoais, o desgaste provocado pelas acusações de corrupção contra seu ex-secretário-adjunto Lauro Malheiros Neto contribuiu para a saída do secretário.
Cargos
O novo secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, disse que nenhum policial envolvido em denúncias graves vai ocupar cargos de confiança em sua gestão. “Isso não significará prejulgamento.” No primeiro dia no cargo, Ferreira Pinto afirmou que vai rever a forma como é gasta a verba de operações policiais reservadas. “Vai haver (mudança) sem dúvida nenhuma. Se houve alguma falha na gestão, ela será retificada.” Ele também aproveitou o primeiro dia como secretário para dizer que seu gabinete está aberto para as entidades representativas das Polícias Civil e Militar.
Assim, com poucas palavras, o secretário tratou de três dos principais problemas da gestão de seu antecessor, Ronaldo Marzagão. O primeiro foram as denúncias de corrupção envolvendo policiais e até mesmo o ex-secretário adjunto de Marzagão, Lauro Malheiros Neto. “Estou tomando conhecimento dos projetos, da máquina administrativa e me inteirando da crise.” E completou: “Não sei se existe essa crise da forma como dizem.” O secretário afirmou que vai tomar “providências só depois de conhecer os fatos”. Por último, garantiu que pessoas que tenham contra si denúncias graves não ocuparão cargos de confiança.