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Água: empresas passam a se preocupar

Fátima C. Cardoso
| Tempo de leitura: 3 min

Como se não bastassem todos os riscos que pairam sobre as empresas hoje em dia, o setor privado começa a ter de lidar com mais frequência com a ameaça da falta de água. O problema ainda não assumiu a dimensão das mudanças climáticas na área empresarial, mas dependendo da região onde a empresa está instalada, a falta de água já afeta o desempenho econômico.

A água, cujo dia mundial é comemorado hoje, é um ingrediente vital para várias etapas dos negócios. Por isso, o planejamento do uso desse recurso é cada vez mais estratégico. Na verdade, as mudanças climáticas prometem exacerbar o problema da falta de água em vários cantos do planeta, recurso que já está sob forte pressão devido ao aumento da população mundial, à elevação do padrão de vida e à necessidade de ampliação na produção de energia (seja hidrelétrica, seja agroenergia).

Esse é cenário para os debates Fórum Mundial da Água. Com o tema “Bridging Divides for Water”, o 5º World Water Fórum, que começou na segunda-feira, termina hoje em Istambul, na Turquia, tem quatro objetivos principais: colocar o tema da água na agenda política mundial; dar suporte às discussões para acordos internacionais que tratem a questão da água de forma global; formulação de propostas concretas; alcançar compromissos de políticos e de vários setores da sociedade. Ou seja, o fórum quer influenciar as políticas globais para o setor.

Não é à toa que Unesco lançou, durante o evento, um relatório que faz um amplo balanço sobre o estado dos recursos hídricos mundiais. A edição deste ano enfatiza o papel desses recursos para o desenvolvimento socioambiental e para o crescimento econômico.

Várias partes do relatório são dedicadas aos efeitos das mudanças climáticas sobre a água, ressaltando que já há consenso entre os cientistas de que o aquecimento global vai acelerar os ciclos hidrológicos, o que deve levar a um aumento nas taxas de evaporação e precipitação. Embora ainda com muita incerteza, o relatório também projeta que, por volta de 2030, 47% da população mundial viverão em áreas com alto estresse hídrico especialmente na África, onde 24 das 700 milhões de pessoas terão de se deslocar para outras regiões devido à escassez de água.

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Para ficar de olho

A Ceres, uma coalizão de investidores e grupos ambientais que estimulam investimentos sustentáveis nos mercados de capitais americano, e o Pacific Institute (centro de estudos na área ambiental) divulgaram no final de fevereiro um estudo e uma ferramenta de gestão para orientar empresas a lidar com os riscos relacionados aos recursos hídricos.

Segundo estas duas organizações, a menor disponibilidade de recursos hídricos, a piora na sua qualidade e o aumento da demanda trarão imensos desafios para o setor privado, que na maioria das vezes considera a água um bem público fartamente disponível e de pouco custo. Essa não é mais a realidade, diz o estudo, que ressalta uma série de tendências para as quais o setor privado deve ficar atento: queda na produtividade de manufaturas que dependem de grandes quantidades de água; mudanças no custo relativo dos produtos com encarecimento desse recurso; propostas de corte de subsídios para empresas nesta área; leis mais estritas tanto na questão da qualidade quanto na quantidade; crescente interesse público sobre práticas corporativas relacionadas ao tema.

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