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Celular: 19 anos de (r)evolução no comportamento

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

No dia 3 de abril de 1973, Martin Cooper, um pesquisador da Motorola, mudou a história da telefonia no mundo. De posse de um aparelho que pesava cerca de 1 quilo e media 25 centímetros de comprimento e sete centímetros de espessura, ele fez a primeira ligação de um telefone celular. O feito, que encantou as pessoas, ocorreu na rua 56, esquina com a avenida Lixington, em Nova York. O receptor da chamada foi Joel Engel, do departamento de celular da AT&T, concorrente da Motorola. Com certeza, Engel não gostou nada de saber da façanha do rival.

O fato é que nascia ali um aparelho que revolucionaria a comunicação entre as pessoas. A novidade só chegou ao Brasil em 30 e dezembro de 1990. De lá para cá, passaram-se 19 anos. Nesse tempo, o telefone modernizou- se e tornou-se uma febre de consumo. Ao serviço de voz foram incorporados outros itens, como relógio, despertador, agenda, calendário, calculadora, máquina fotográfica, rádio, MP3 player, filmadora e até lanterna, entre muitas outras funções.

E não pára por aí. Os modelos mais novos trazem mais avanços. Entre eles, a possibilidade de assistir TV pela tela do celular, de acessar a Internet, de ver a imagem da pessoa com quem está falando (videochamada), de ver mapas e traçar rotas por meio de sites e de fazer pagamentos como se fosse um cartão de crédito.

Somado a isso, programas estão sendo desenvolvidos para rastrear pessoas por meio do celular. Tem fábrica investindo em aparelhos movidos à energia solar. Mais: estão desenvolvendo celular capaz de ser controlado pela respiração humana.

Outros protótipos prometem revoluções ainda maiores, como abrir a porta e dar partida um carro. Enfim, parece que não existe utopia quando o assunto é telefonia celular. Cada vez mais, as inovações surpreendem pelo tamanho da ousadia e deixam as pessoas ainda mais dependentes das funções e facilidades oferecidas pelo aparelho.

No Brasil, a última novidade foi o lançamento do tão aguardado iPhone, no ano passado. O aparelho inova no design por não trazer teclado. Todas as funções são executadas na tela, que é sensível ao toque.

Segundo pesquisa da agência de publicidade Ogilvy, o telefone celular foi a mudança mais importante que ocorreu na vida dos brasileiros nos últimos anos. Esta foi a opinião de 60% dos entrevistados. O percentual chega a 68% na classe C, o que mostra que o aparelho deixou de ser um privilégio das classes A e B para servir a classes de menor poder aquisitivo.

A massificação veio com os planos pré-pagos, que não têm assinatura mensal. Por menos de R$ 100,00 é possível comprar um aparelho. Em 1990, o primeiro celular vendido no Brasil custou US$ 22 mil (cerca de R$ 49 mil).

No ano passado, o mercado de telefonia móvel bateu recorde de crescimento no Brasil. Foram 29 milhões de novas habilitações, aumento de 24,5%, a maior taxa da história do serviço. Atualmente, o País contabiliza 151,9 milhões de linhas móveis, sendo que 81% são de telefones pré-pagos. Levando-se em conta que o País tem uma população de 190 milhões de habitantes, não vai demorar muito para chegarmos à proporção de um telefone celular por habitante.

Em entrevista no ano passado para a revista Época, o criador do celular, Martin Cooper apontou os pontos positivos e negativos de sua invenção. Na opinião dele, o celular melhorou a produtividade e facilitou o contato entre as pessoas. Com isso, passou a ser possível resolver problemas de onde quer que esteja.

Por várias vezes, o próprio Jornal da Cidade noticiou casos que tiveram um final feliz por causa do celular, como o salvamento de vidas. Recentemente, um taxista de Bauru teve seu carro roubado. Do porta-malas do veículo, onde foi colocado pelos bandidos, ligou para a polícia. O carro foi recuperado, ele escapou com vida e os assaltantes foram presos. Tudo isso graças ao telefone que carregava dentro da meia. Mas da mesma forma como essa tecnologia é utilizada para coisas boas, também é usada para a prática de crimes. Não são poucas as notícias sobre agentes do crime organizado que, mesmo presos, comandam roubos, seqüestros e outras ações criminosas pelo celular de dentro dos presídios.

O próprio inventor do aparelho, Martin Cooper, aponta alguns aspectos negativos da telefonia móvel. Entre elas, pessoas que falam alto em espaços públicos e não se dão conta de que estão incomodando outros. “Claro, os celulares não fazem as pessoas se tornarem mal educadas. Elas já o eram antes deles. Mas há algo mais importante. Nós nos entretemos e nos educamos pelos celulares e outros dispositivos sem fio. E isso é apenas o começo”, afirma.

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