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Demissões provocam greve na Pirelli

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Os 2.300 trabalhadores da fábrica da Pirelli, em Santo André, entraram em greve na noite de anteontem, segundo o Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo. O movimento foi deflagrado após a demissão de 11 funcionários no mesmo dia.

“A Pirelli propôs redução de jornada com redução salarial, mas não admitia estabilidade dos empregos após o vencimento do contrato’’, afirma Terezinho Martins da Rocha, presidente do sindicato. “Não aceitamos essa proposta e as demissões começaram já na sexta-feira’’.

Segundo Martins, houve uma assembleia na fábrica na troca de turno, na noite de sábado e a greve foi aprovada. A intenção do sindicato é reverter as demissões e reabrir as negociações sobre a redução da jornada e salários. A posição sobre garantia de emprego é mantida.

Procurada, a Pirelli não respondeu a pedido de entrevista até o começo desta noite.

A fábrica da Pirelli em Santo André produz pneus de caminhões e tratores. Esses veículos registraram vendas em queda pelo quarto mês consecutivo, em fevereiro. Além disso, mesmo com a eliminação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a expansão de cobertura do Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), principal linha de crédito do setor, as vendas não se recuperaram.

O patamar de vendas mais baixo obrigou a Volkswagen Caminhões e Ônibus, por exemplo, a afastar 500 trabalhadores da unidade de Resende (RJ) por cinco meses. Com isso, a capacidade de produção foi reduzida de 230 para 170 veículos por dia.

Nas outras montadoras, as projeções de vendas também foram bastante reduzidas. Apesar de todos os fabricantes e fornecedores de autopeças estarem tentando se adaptar a nova realidade, Martins afirma que a Pirelli tem tido uma postura mais dura do que outras fabricantes de pneus.

Segundo ele, tanto a Bridgestone Firestone quanto a Goodyear fizeram PDVs (Programas de Demissão Voluntária) atraentes, o que tem ajudado-as a adequar o número de trabalhadores à demanda por seus produtos. Já a Pirelli não ofereceu a mesma possibilidade.

Martins afirmou ainda que a Pirelli já propôs o mesmo modelo de redução de jornada e salário, sem garantia de emprego, aos funcionários da fábrica de Gravataí (RS), onde são feitos pneus de caminhões e motos.

Conflito

Empresas de diversas áreas têm adotado o modelo de redução de jornada e salários, como alternativa de adequação dos estoques às vendas. Levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 431 empresas, no início de março, mostrou que 9% das indústrias já tinham feito acordos para redução de jornada e salários. Outras 24% pretendiam adotar procedimento semelhante nos próximos meses.

No mesmo levantamento, foi identificado que 80% das entrevistadas já tinham tomado ações com relação a seus trabalhadores, após a crise.

Reduções generalizadas nas jornadas de trabalho indicam que as empresas deverão evitar ao máximo novas contratações nos próximos meses, afirma o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mesmo assim, 50% dos 2 mil trabalhadores ouvidos pelo instituto de pesquisa CNT/ Sensus, no fim de janeiro, aprovam a redução de jornada, com diminuição dos salários.

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