Das 5.564 cidades brasileiras, apenas 547 possuem população acima de 50 mil habitantes. Para se ter uma idéia das responsabilidades que envolvem a gestão de uma metrópole como São Paulo, apenas em Paraisópolis vivem cerca de 80 mil pessoas. Não existem soluções isoladas que movimentem essa estrutura para o desenvolvimento econômico e social. É com esta convicção que o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo somam esforços.
Desenvolvimento e justiça social exigem competência administrativa, cooperação entre os poderes, diálogo com a sociedade e coordenação na aplicação dos investimentos. O Programa Virada Social concretiza o esforço e a união entre os vários segmentos do poder público e entidades civis para o atendimento às necessidades do cidadão. Trata-se de um modelo compartilhado de gestão, envolvendo o Governo do Estado, a Prefeitura de São Paulo, suas respectivas secretarias, associações de moradores, Ongs e empresas públicas.
O Governo do Estado adota uma política de segurança que vai além da repressão. Colocar criminosos na cadeia é apenas parte da solução. Essa é a proposta do programa Virada Social, coordenado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads). Integrando secretarias e órgãos públicos estaduais, municipais e a sociedade civil, a Virada Social parte do princípio de que a inclusão social é importante instrumento de segurança. A ocupação policial que caracteriza sua primeira fase é o anúncio de que o poder público se fará presente definitivamente. As tropas especiais da Polícia Militar permanecem na área por cerca de 90 dias, durante a Operação Saturação, seguida de ações de revitalização urbana, saúde, educação, cidadania, segurança, assistência social, cultura, entre outras.
O sucesso da Virada Social depende do envolvimento da comunidade e os subprefeitos são fundamentais, já que podem ajudar na definição das prioridades. Em junho do ano passado, a região de São Mateus recebeu o programa. Nos primeiros 48 dias, a polícia vistoriou 14.120 veículos e registrou 112 ocorrências que resultaram em 86 prisões em flagrante e 21 processos de investigação. Paralelamente, a Seads articulou órgãos estaduais e municipais e definiu com os demais parceiros cerca de 100 ações. A primeira intervenção da Virada Social aconteceu em 2007, no Jardim Elisa Maria, Brasilândia, onde mais de 60 ações foram executadas, como a inauguração de unidade de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA), construção de escola e instalação de base da polícia. O resultado foi a redução da criminalidade. Em 2009, quatro novas áreas serão beneficiadas, a começar com Paraisópolis.
A Virada Social surge como instrumento para encontrar soluções de curto prazo, mas com reflexos por várias décadas. O governador Serra e o prefeito Kassab propõem que é preciso ir além do óbvio, como escreveu um importante jornalista. A Virada Social surge como modelo inovador de gestão, sem o mérito individual da realização, já que o êxito depende de todos.
O autor, Rogério Amato, é graduado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, vice-presidente do Ciesp e é secretário estadual da Assistência e Desenvolvimento Social