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Dr. Automóvel: Segurança no trânsito

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

De nada adianta tanta tecnologia nos veículos atuais (incluam-se automóveis, motocicletas, ônibus e caminhões) se aquela pecinha que fica entre o banco do motorista e o volante não estiver preparada para usá-la. O mais comum que vemos todos os dias é a falta de segurança no trânsito. Pessoas dirigem como se estivessem sozinhas na rua, param para ver vitrines, ficam em dúvida se estão na rua certa e simplesmente param o carro para se localizar.

Li durante a semana uma pesquisa de que quase metade dos motoristas são mulheres, mas que elas são responsáveis por apenas 14% dos acidentes graves. Isto é claro e sabido, as mulheres são muito mais cautelosas e menos audaciosas no trânsito que os homens, e isto faz com que o índice de acidentes seja menor. Mas dirigir devagar (tanto homens quanto mulheres) não é sinal de segurança, e em alguns casos demonstra até mesmo insegurança. Não sei se as autoescolas ensinam, mas poucos sabem que assim como existe limite de velocidade máxima, também existe o limite mínimo que deve ser respeitado, para garantir o fluxo do trânsito. Este valor é de 20% abaixo da velocidade máxima. Por exemplo, em uma via com limite de 60 km/h de máxima, o limite mínimo será de 48 km/h. Se o motorista estiver dirigindo a 25 km/h, por exemplo, estará fatalmente atrapalhando o trânsito, fazendo com que outras pessoas se sintam prejudicadas no seu livre deslocamento e tentem ultrapassagens inseguras ou não adequadas, outros precisem frear repentinamente e venham a provocar acidentes. Tudo isso por que um roda-presa lá na frente cismou de andar a 25 por hora (na esquerda!) e atrapalhar todo mundo!

É comum vermos motoristas em lombadas eletrônicas reduzirem sua velocidade ao passar pelo radar, mas se o limite é de 50 km/h, reduza para ideais 45 e cruze com segurança, mas não para 20, com medo de ser multado! Preste atenção no seu velocímetro e se baseie nele para cruzar a lombada, e não simplesmente no seu sentimento de velocidade externa. Repare que quase ninguém olha no velocímetro na lombada, e reduz a velocidade por conta própria.

Já descrevi diversas vezes a segurança automotiva como passiva e ativa. A ativa é representada pelos freios, parabrisa, capota, cintos de segurança etc. Já a passiva, consideramos como os parachoques, estrutura deformável da carroceria, barra de direção deslocável, airbags, coisas que só funcionam em caso de acidente. Mas um veículo sozinho não se mete em confusão, precisa daquela pecinha a que me referi acima para operá-lo. Psicólogos confirmam que pessoas com carências diversas se sentem fortalecidas ao controle de um veículo automotor. Passam a se manifestar de forma mais agressiva e impulsiva, guiando em velocidades incompatíveis com a via mais para se mostrar aos outros do que por necessidade. Isto gera imprudência e acidentes, principalmente por um único fato real: a pessoa não está devidamente qualificada e preparada para operar aquela máquina. Isto vale tanto para carta velha quanto para carta nova, principalmente. Sem qualquer preconceito, vemos isso no dia a dia. Os veículos atuais oferecem muita potência, uma carroceria que induz à velocidade e a um estilo de vida que muitos não têm, mas gostam de aparentar. Com motos, o problema é mais sério do que se pensa.

Conversando outro dia com nosso amigo coronel Perez, comandante do Corpo de Bombeiros, portanto pessoa abalizada para tecer comentários a respeito de segurança no trânsito e resgate de acidentados, disse-me ele que estava muito preocupado com o elevado índice de acidentes com motos pequenas. Eu comentei que não há preconceito contra a cilindrada da moto, mas contra o comportamento do piloto. Daí existir uma grande diferença entre um motociclista, aquele que respeita o trânsito e dirige sua moto de qualquer tamanho como se fosse um carro, e um motoqueiro, o que barbariza nas ruas achando que todos têm de dar passagem a ele, que costura entre os carros em movimento, xinga e acaba morrendo debaixo de um ônibus. O fato concreto é que mais de 95% dos acidentes de moto são com as de baixa cilindrada, que hoje são vendidas a menos de R$ 200,00 por mês, o que colocou muita gente despreparada nas ruas. Torna-se primordial que as motoescolas enfatizem em seus cursos o conceito de segurança e não apenas da liberdade de movimento e agilidade que uma moto pode trazer. Todos nós temos nossa responsabilidade, e estou fazendo minha parte, divulgando.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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