Tel-Aviv - O Knesset, Parlamento israelense, oficializou ontem Binyamin Netanyahu, 59 anos, como premiê. Após mais de seis horas de debate, o governo do direitista Likud foi confirmado por 69 votos contra 45. Com 30 cargos ministeriais, ele chefiará o gabinete com maior número de pastas nos mais de 60 anos de história do Estado de Israel.
O novo governo é um amplo e heterogêneo grupo, composto por um partido religioso ortodoxo (Shas), um religioso nacionalista (Casa Judaica), um ultranacionalista laico de direita (Israel Beitenu), um de centro-esquerda (Trabalhista) e pelo conservador Likud.
Para acomodar aliados, Netanyahu criou novas pastas - tantas que os marceneiros do Parlamento precisaram trabalhar na madrugada para ampliar a mesa do gabinete.
Há um ministério (Saúde) reservado ao Judaísmo Unido da Torá a ser assumido assim que o partido finalizar as negociações para ingressar na coalizão. Só uma pasta (Justiça) terá titular sem filiação partidária.
No discurso de ontem, o linha-dura repetiu discursos recentes, afirmando que buscará a paz. Crítico da solução de dois Estados, norte das negociações desde 1993, ele entretanto não falou em “Estado Palestino”.
Em outra declaração de tom conciliatório, Netanyahu disse: “O governo irá manter o caráter judaico do Estado, sua tradição judaica e também o respeito às religiões e tradições das comunidades étnicas do país’’.
Reações
A repercussão ao novo premiê e seu governo foi negativa. A ex-chanceler Tzipi Livni, a quem Netanyahu cortejou para ingressar na coalizão e trazer junto o Kadima (centro-direita) desde a eleição de 10 de fevereiro, disse que é um “governo inchado, cheio de ministros encarregados de nada”.
Nabil Abu Rudeina, porta-voz da Autoridade Nacional Palestina, afirmou que “não foi um início empolgante” e instou os EUA a pressionarem pela concessão territorial. Abdullah Abdullah, dirigente do Fatah, grupo dominante na ANP, disse que há no governo “perigosos partidos racistas e fascistas’’.
Até o grupo islâmico Hamas, que alegara não ver diferenças entre quaisquer governos de Israel, disse que o novo gabinete “levará a região de mal a pior”.
O Egito se opôs à indicação do líder do Israel Beitenu para o principal posto diplomático. Em 2008, Liberman mandou “ao inferno” o ditador Mubarak. E agora o Cairo quer um pedido formal de desculpas.
A União Européia, afirmou que o bloco “não está feliz” com o plano de Netanyahu de expandir os assentamentos na Cisjordânia.