Polícia

Moradores pesam qualidade de vida e segurança

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Ouvir o cantar dos pássaros no quintal de casa é um privilégio para poucas pessoas nos dias de hoje. Os moradores das cerca de 230 chácaras e casas do Vale do Igapó têm essa sorte. Porém, o prazer de morar em meio à natureza tem um preço: sempre estão preocupados com a segurança.

Como o bairro é afastado do Centro de Bauru, com livre entrada e saída de veículos, casas distantes uma das outras, com áreas de mata nativa entre elas, os ladrões agem com facilidade. Ajuda ainda mais o fato de boa parte das casas ser usada apenas aos finais de semana, para lazer. Os bandidos sentem-se à vontade para praticar furtos.

Mas, às vezes, encontram os moradores, como ocorreu anteontem na casa do comerciante Marcos Antônio Rosa, que foi baleado. Desde o início do ano, o JC já noticiou cinco roubos a residências no Vale do Igapó. Por causa da insegurança, alguns moradores temem continuar morando na localidade, mesmo amando o contato com a natureza e a tranqüilidade aparente das ruas do bairro.

“Nossa maior preocupação vem com o anoitecer. Moro aqui há 19 anos e, de uns tempos para cá, não durmo em paz”, afirma a moradora Carmem de Oliveira, 60 anos. Ela conta que, antigamente, era possível dormir com as janelas abertas, coisa que hoje se tornou impossível pelo número crescente de pequenos furtos e roubos que as residências vêm sofrendo.

Ela já pensou em vender a casa, mas o prazer de viver no bairro fala mais alto na hora da decisão. “Apesar de inseguro, aqui é muito bonito e agradável”, disse. Vender ou não vender. Essa é a dúvida de Eunice Rodrigues. Como o marido e o filho mais velho passam a semana fora devido ao trabalho, ela fica em casa apenas com o filho pequeno. “Meu maior medo é que entrem em casa para roubar e façam mal ao menino”, preocupa-se.

Ela também já pensou em mudar-se do bairro, mas como Carmem, Eunice também gosta muito de morar no Vale do Igapó. “Porém, estou pensando seriamente em vender minha casa e comprar outra em um lugar de maior movimento e segurança”, completa.

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