Pirajuí - Um homem de 30 anos foi preso, anteontem, em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), acusado de aliciar três adolescentes, um deles com problemas neurológicos. O caso veio à tona depois que o auxiliar de funilaria não aceitou ser deixado por uma das vítimas e passou a ameaçá-la de morte.
A polícia foi procurada pela família do adolescente, que registrou a ameaça de morte em um boletim de ocorrência, explica a delegada titular da cidade, Rosemeire de Bárbara de Souza.
“A família não entendia porque o rapaz, que era tão amigo do adolescente, de repente, passou a persegui-lo e a ameaçá-lo. A mãe do menor chegou a declarar que há mais ou menos dois anos deixou o filho com o auxiliar, quando teve que se ausentar da cidade para trabalhar fora.”
As ameaças teriam começado há quatro meses. Nesse período, o adolescente chegou a ser agredido pelo acusado. “A vítima tinha uma namorada, que chegou a ser procurada pelo acusado que dizia a ela para deixá-lo porque ele não tinha futuro.”
O menor foi ouvido e confessou na polícia que deixou de freqüentar a casa do acusado, quando o homem tentou abusar dele, comenta a delegada. “A vítima contou que dormia na casa do acusado quando tudo aconteceu. Ele acordou com auxiliar se esfregando nele. Ele teria corrido para a casa de uma tia antes do fato se consumar. A tia confirmou a chegada do menor, que pediu para dormir na casa dela.”
Para confirmar a versão do menor e investigar detalhes, a delegada esteve na casa do funileiro. “Lá, encontrei um adolescente de 17 que tem problemas neurológicos. O menor ficou transtornado com a presença da polícia. Disse que o acusado era pessoa boa, que dava comida, presentes e dinheiro para ele. Disse que estava na casa de livre e espontânea vontade.”
Aos poucos, o menor foi contando tudo para a delegada. “Ele confessou que o acusado era passivo e que ele mantinha relações sexuais com ele em troca de presentes”.
Diante da situação, foi requisitada a prisão temporária do funileiro. O juiz autorizou e ele foi preso. Encaminhado para a Cadeia Pública de Duartina, na noite de quinta-feira, ele teve que ser transferido para a Cadeia de Gália porque os presos não aceitaram a presença do pedófilo.
O adolescente com problemas neurológicos festejou a prisão, comentou a delegada. “Ontem, ele esteve na delegacia e parecia outra pessoa, mais tranqüilo e falou que o lugar certo para o funileiro era na cadeia.”
Laudos
A delegada aguarda o resultado dos laudos das vítimas para pedir a prisão preventiva do pedófilo. “Em seguida, será pedida a prisão preventiva para que ele fique preso até o julgamento.”
Se condenado, o acusado poderá pegar até 30 anos de reclusão, uma vez que a pena varia de 6 a 10 anos e ele responderá por três crimes semelhantes. Como o crime é considerado hediondo, o preso não tem direito a benefícios.
Edições passadas
Em 2006 e 2007, foram registradas, na Delegacia de Pirajuí, três ameaças onde o acusado consta como autor. As três denúncias foram feitas por um menor que tinha 16 anos, no primeiro registro.
“A vítima, que hoje tem 18 anos, foi chamada e contou a verdade, alegando que, na época, teve vergonha de dizer à polícia o que ocorria na casa do acusado. Ele também foi aliciado e ganhou presentes. Calças jeans, tênis, dinheiro, etc. Tudo para manter relações sexuais com o funileiro que sempre foi passivo.”