O sonho de uma vida tranqüila e segura pode se transformar num grande pesadelo se não forem tomados alguns cuidados na contratação de segurança privada. É preciso conhecer muito bem a pessoa que será encarregada de cuidar da sua proteção e dos demais membros da família.
Uma escolha errada pode colocar em risco a segurança de todos. Isso porque o profissional contratado saberá mais do que qualquer outra pessoa qual a rotina da família. Ele saberá, por exemplo, a que horas os moradores têm costume de chegar e sair de casa.
Uma das maneiras de evitar que a tão sonhada segurança se transforme em pesadelo, segundo o delegado da Polícia Federal (PF) de Bauru Antonio Vaz de Oliveira, é tomar o cuidado de não contratar o serviço de empresa não-autorizada.
Ele recomenda que se exija a apresentação da autorização de funcionamento da empresa para comprovar a regularidade perante à PF, que é o órgão responsável pela fiscalização do setor, sob o risco de, em não fazendo essa exigência, contratar serviços clandestinos e responder solidariamente pelos erros que seus contratados venham a cometer.
Apesar da recomendação, ainda é prática muito comum a contratação de vigilantes que não são cadastrados na PF. Normalmente, o que pesa mais na hora de contratar é a amizade ou a indicação de algum amigo ou parente. Além do mais, contratar um vigilante clandestino é mais barato.
Foi o que fez um grupo de moradores de um bairro da zona sul de Bauru. Preocupados com os seguidos casos de violência registrados no bairro em que moram, inclusive envolvendo eles próprios, decidiram se unir para pagar pelo serviço de segurança privada. Alguém do grupo conhecia alguns vigilantes e resolveu contratá-los. Faz dois meses que isso aconteceu. Desde então, uma equipe de guardas noturnos passou a percorrer e a observar a movimentação nos quarteirões onde residem seus contratantes.
Segundo uma das moradoras (que pediu para não ter o nome revelado), até o momento, foram dois meses de tranqüilidade, de noites bem dormidas. Ela lembra que por diversas vezes acordou com o barulho do alarme. Pessoas que passavam pela rua jogavam objetos para dentro da residência para ver se o alarme estava funcionado ou batiam com objetos para danificar a cerca elétrica. Ela conta que teve também câmeras do circuito externo de segurança danificadas por vândalos.
Após a contratação da segurança privada, as tentativas de invasão e o vandalismo deram uma trégua aos moradores. “Nós vivemos trancados dentro de uma jaula e nem assim temos segurança. Então é bom quando sabemos que podemos chegar em casa e terá alguém dando um certo apoio”, comenta.
Segundo a moradora, antes de chegar em casa, ela liga para os vigilantes para que eles fiquem atentos e ela possa entrar na residência com segurança. Apesar desse apoio, ela revela que nunca se sente 100% segura. Isso porque, na avaliação dela, sempre existe o risco dos vigilantes serem dominados ou “seqüestrados” por bandidos e passar informações preciosas da rotina dos moradores. “Totalmente seguro a gente nunca se sente”, afirma.
De acordo com o tenente da reserva José Luiz Fermino Neto, a segurança privada normalmente é utilizada como último recurso pela população. Em primeiro lugar, constroem-se muros altos, depois procura-se iluminar o local, em seguida vem a cerca elétrica, as câmeras de monitoramento externo, e finalmente a utilização de uma pessoa para vigiar e cuidar da segurança da família. Fermino atuou como policial por 27 anos e agora trabalha como consultor na área de segurança.