Pesca & Lazer

História de Pescador: Ponte de Ferro


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Na minha mocidade, em Avaí, era comum arrumar companheiro a fim fazer uma pescaria de bagres à noite no rio Batalha. Tratei uma pescaria com o Zé Protesto e o Nelson Formicida. O local seria o poço de piçarra, que ficava acima da Ponte de Ferro. Eu tinha que ir mais cedo, já que levaria o bote e também pegaria as iscas (lambaris), enquanto os dois companheiros me encontrariam no local lá pelas 18h30, quando sairiam do serviço.

Assim foi feito. Cheguei no local por volta das 16h, apoitei o bote acima da ponte, onde comecei a pescaria dos lambaris, mas meio cabreiro com a Ponte de Ferro e suas histórias de mal-assombrada.

A Ponte de Ferro tem esse nome por dar passagem aos trens da antiga Noroeste, hoje América Latina Logística, e tem fama de ser mal-assombrada, pois segundo moradores antigos, muita gente (índios e brancos) morreu ali durante a sua construção. Outros dizem que muitos gaúchos foram mortos lá quando da revolução de 1932, a verdade que muita gente a evita. Histórias que ouvi e que me causavam medo.

Estava eu distraído na pescaria quando pedras começaram a ser lançadas no rio de cima da ponte, perto de mim. Pensei que fosse gozação dos meus companheiros e gritei para eles. Nada aconteceu. As pedras continuaram a cair e, de imediato, pulei no barranco e subi na pirambeira da ponte. Lá em cima não tinha ninguém, diante disso, fiquei ali mesmo até que os meus companheiros chegassem. Não contei a eles o que havia acontecido e fomos subir o rio para a pesca dos bagres.

Após a pescaria, deixamos o barco debaixo da ponte e fomos embora para a cidade a pé pela linha do trem, quando veio em nossa direção uma luz parecida com o foco dos nossos gasômetros. Fizemos sinal para ela, pensando ser algum colega vindo em direção contraria à nossa, mas não houve resposta.

Essa luz tinha que passar por uma cava funda e, em conseqüência disso, sumiria o foco, mas isso não aconteceu e ela continuava forte e radiante. O Zé falou: “Vamos cortar pelo pasto e sair na Vila Oliveira”. Assim foi feito. Quando chegamos na vila, iluminados pelas luzes dos postes, notei que o Zé estava branco e ele me disse “viu Brotero (meu apelido), o meu irmão também já viu essa coisa ruim (a luz), essa ponte é mesmo assombrada”. Contei logo após a ele o que me havia acontecido e ele falou que “pescaria naquele lado nunca mais”!

E até hoje, nunca mais fui pescar perto dessa ponte. Quem duvidar, faça um teste: vá pescar ou ficar debaixo da Ponte de Ferro.

Sérgio Andrade Moreira - Pescador e contador de histórias

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