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Protógenes nega ter investigado Dilma

Folhapress
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Brasília - Protegido por um habeas corpus que o permitia ficar calado, o delegado federal Protógenes Queiroz lançou mão do expediente 45 vezes durante seu depoimento ontem à CPI dos Grampos. Ele se recusou a responder sobre contradições apresentadas por ele em outros depoimentos e sobre supostas irregularidades no comando da Operação Satiagraha.

Nas poucas respostas sobre estes temas, o delegado negou que tenha feito escuta ilegal e que tenha investigado a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. “Não existe um mínimo fragmento contra o filho do presidente”, disse.

Detalhes da vida privada de Dilma são descritos em um relatório atribuído a agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), apreendido no computador de Protógenes.

Já Lulinha foi citado no depoimento à Polícia Federal de um dos agentes recrutados. Segundo este agente, o delegado teria dito a seus subordinados que a Satiagraha era de interesse do presidente Lula pelo fato de Lulinha ter sido cooptado pela organização criminosa chefiada por Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.

O delegado só se estendeu em respostas sobre os supostos crimes cometidos por Dantas, a quem só se referiu como “banqueiro bandido” e “banqueiro condenado”. Ele não fez, no entanto, as revelações que prometeu em entrevistas pregressas, entre elas sobre a origem dos recursos com os quais Dantas adquiriu terras no Pará, invadidas recentemente pelo MST.

Prótogenes não respondeu a perguntas sobre a participação ilegal dos agentes da Abin, acusados de manusear grampos; e sobre o grau de conhecimento desses fatos pelo diretor-geral exonerado da Abin Paulo Lacerda, pelo procurador da República Rodrigo de Grandis e pelo juiz federal Fausto de Sanctis. Até o fechamento desta edição, o depoimento não havia acabado e já durava quatro horas e meia.

Protógenes foi ciceroneado por uma claque de congressistas, liderados pelo Psol. Em sua introdução, o delegado disse que falava à “família” e ao “povo brasileiro”, e citou o poema “Tocador de atabaque”, de Eduardo Alves da Costa.

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