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CCZ retira cerca de 30 gatos de cemitério

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

Quem vai visitar entes queridos no Cemitério da Saudade encontra uma situação nada agradável. Centenas gatos passaram a habitar os túmulos e algumas pessoas começaram a alimentá-los. Embora sejam animais dóceis e graciosos, alguns apresentam doenças e a comida jogada para os bichanos gera acúmulo de sujeira e odores ruins.

Diante da situação, alguns munícipes entraram em contato com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para que providências fossem tomadas. “São 300 gatos. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) identificou que alguns deles estavam com enfermidades e colocavam em risco a população que mora no entorno do cemitério, por isso estes animais (cerca de 30) foram recolhidos. Mas esta é uma atividade de rotina, o CCZ verifica periodicamente a população de gatos que se tem lá”, explica Rubens Ribeiro de Barros Filho, presidente da empresa.

Embora, segundo Rubito, seja um procedimento rotineiro, a retirada dos gatos, que começou na semana passada, assustou algumas pessoas que cuidavam dos animais. Wanda de Souza, moradora da Vila Antártica que contribui com 20kg de ração mensalmente, ficou com medo. “Ficamos sabendo que não estavam mais deixando dar a alimentação e estavam retirando os bichos de lá. Ficamos nervosas porque teve gente que foi lá e viu os gatos chorando. Além disso, vão sacrificá-los. Foi um choque porque há muitos anos tem os gatos lá, bonitos e saudáveis. Não dá para se conformar”, diz.

Outra moradora do bairro que não quis se identificar também ficou em alerta. “As pessoas começaram a implicar e o CCZ foi lá e levou os gatos. Fico preocupada porque não sei o que vai acontecer com eles, pode ser que matem”, afirma.

De acordo com Dorival Tessari, agente de saneamento e encarregado do gatil do CCZ, explica o destino dos animais. “Retiramos cerca de 30 gatos do local. Todos os animais que chegam aqui passam por veterinários. Alguns deles estavam doentes, com rinotraqueíte. Estes animais não podem ser colocados no gatil, pois a doença é contagiosa. Então, os doentes são eutanasiados. Os demais são disponibilizados para adoção”, diz.

O agente faz questão de frisar que a função do CCZ é cuidar da saúde do ser humano, prevenindo doenças. “Há uma senhora que alimenta estes animais duas vezes por dia. Com comida fácil, o lugar ficou praguejado de gatos que defecam, urinam e procuram abrigos nos túmulos. Do jeito que estava, daqui a algum tempo ia ser impossível andar no cemitério e a disseminação de doenças entre os próprios animais ia ser incontrolável”, expõe.

Rubito conta que foi procurado por Maria, a senhora que faz a alimentação dos gatos, e que eles chegaram a um acordo. “Combinei com a dona Maria, que defende os gatos da região, que toda vez que houver gatos que coloquem em risco a saúde da população do entorno, o CCZ vai entrar em ação. Além disso, haverá um lugar específico para ela cuidar dos gatos, onde ela poderá dar somente ração e água. Toda a comida encontrada fora deste local será apreendida. O cemitério é um lugar para onde as pessoas se dirigem para lembrar das pessoas que não estão mais entre a gente. Temos que garantir a ordem do lugar”, finaliza.

Funcionários do Cemitério da Saudade contactados pela reportagem pedem a colaboração da população para que parem de deixar pequenos gatinhos no local.

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