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Tragédia na Renascer completa 3 meses

Clayton Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Passados três meses, proprietários e moradores de imóveis atingidos pelo desabamento do teto da igreja Renascer, na região do Cambuci, no centro de São Paulo, ainda não tiveram os seus imóveis reformados. No dia 18 de janeiro deste ano o desabamento do teto matou nove pessoas e deixou mais de 100 feridas.

A última pessoa que continuava internada, o empresário Fábio Jodas de Oliveira, 27 anos, recebeu alta médica e voltou a trabalhar na última segunda-feira. Jodas ficou 24 dias em coma e os médicos chegaram a anunciar à família que ele tinha apenas 1% de chance de sair vivo. Até agora ninguém foi responsabilizado pela tragédia e não se sabe ao certo o que provocou a queda do teto. O Instituto de Criminalística (IC) informou anteontem que materiais coletados no interior do prédio ainda estão em análise em laboratórios e não há um prazo para o laudo final. No dia 17 de fevereiro deste ano a polícia pediu mais prazo à Justiça para apurar o que ocorreu.

Apesar de não terem as suas casas reformadas, os vizinhos do prédio que tiveram partes de suas casas atingidas - na maioria edículas que ficavam nos fundos das residências - já retornaram para suas casas.

A Renascer informou que nenhum dos imóveis atingidos foi reformado. A igreja informou que uma empresa especializada em reformas foi contratada há cerca de um mês mas não obteve autorização dos proprietários para realização dos serviços.

Aviso no telão

O empresário Fábio Jodas de Oliveira, um dos sobreviventes da queda do teto da igreja Renascer, afirmou que momentos antes da tragédia um recado foi transmitido no telão por uma integrante da denominação avisando que os fiéis deveriam sair do prédio pois ele corria o risco de desabar.

Jodas estava em um curso no prédio localizado no Cambuci, no centro de São Paulo, quando foi atingido pelos escombros. “O que eu lembro direitinho é que desmaiei. Estava terminando um curso na igreja e recebemos um recado que em 15 minutos era para sair porque iria cair. No telão apareceu uma moça e deu um recado”, disse.

Depois disso afirma que só percebeu teto, gritos e choros antes de desmaiar e acordar apenas no final da primeira quinzena de fevereiro.

Jodas afirmou que os médicos chegaram a dizer aos seus pais que ele tinha apenas 1% de chance de sobreviver. Ele ainda se recupera de uma lesão na perna e terá de usar um gesso. Até o mês passado andava de cadeiras de rodas. O empresário afirma que sua memória foi recuperada gradualmente. “Hoje estou 100%”, afirma.

Ele considera sua recuperação um milagre e afirma que voltou a freqüentar as reuniões da denominação. Questionado se frequentaria novamente o local - na eventualidade de um novo templo for reerguido - ele afirma não ver problemas.

Entretanto, segundo diz, não conseguiu até agora assistir por completo ao vídeo com os últimos momentos da tragédia. “Chorei”, diz numa voz embargada ao telefone, sem querer estender muito a declaração.

Até anteontem ele afirma não ter sido procurado pela Polícia Civil para prestar depoimento.

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