Trinidad e Tobago - Barack Obama começou sua reunião com a Unasul, bloco que reúne os 12 países sul-americanos, dizendo que queria “ouvir e aprender”. Pois o norte-americano ouviu que deveria acabar com o embargo imposto há 47 anos a Cuba e aprendeu que a distensão entre Venezuela e EUA insinuada por Hugo Chávez na noite de ontem era para valer.
No encontro, que aconteceu na manhã de ontem durante a 5ª Cúpula das Américas, Obama pediu a colaboração dos líderes na questão cubana, segundo relato feito por um membro da equipe obamista em Trinidad e Tobago. O presidente lembrou que todos os presentes na sala representavam democracias, disse o funcionário, e que todos deveriam estar preocupados com essa questão em relação ao regime dos irmãos Castro.
O norte-americano não fez nenhum pedido formal, no entanto, como o de que um dos países funcionasse como mediador entre os EUA e Cuba, uma proposição brasileira e também do Caricom, o bloco dos países caribenhos, com o qual se encontrou anteontem.
Cuba foi um dos assuntos dominantes, e foi consenso entre os líderes presentes que Obama deveria levantar o embargo. Segundo o funcionário, o democrata respondeu que o processo todo de distensão não será da noite para o dia e que os EUA esperam agora um gesto cubano para prosseguir a distensão entre os dois países.
Obama ouviu também dos presentes críticas sobre o passado de intervenção política dos EUA na região. Tudo dentro de um clima cordial, segundo o funcionário, e todos fazendo a ressalva de que não culpavam o democrata pelo ocorrido e que não acreditavam que o mesmo iria voltar a acontecer sob seu comando.
Já o venezuelano Hugo Chávez qualificou de “extraordinária” a reunião e disse não ter “a menor dúvida” de que haverá uma reaproximação entre Caracas e Washington -dois dias depois de ter defendido o fim da Cúpula das Américas.
“Houve impressões marcadas pelo otimismo e a melhor da boa vontade de avançar. Como dizia Tabaré [Vázquez] no final, citando um intelectual italiano: “Só teremos a verdade quando nos unirmos e nos colocarmos de acordo para buscá-la”, disse Chávez a jornalistas após o encontro.
Questionado se haverá uma aproximação com os EUA, Chávez disse não ter “a menor dúvida” e que o encontro de hoje foi um “bom início” e voltou a dizer que quer ser “amigo” de Barack Obama.
“Conversei com a secretária de Estado [Hillary Clinton], que me agradeceu por minhas deferências, que não são de agora”, afirmou Chávez, que há cerca de um mês chamou Obama de “pobre ignorante” -depois que o americano relacionou seu governo às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o acusou de obedecer ao seu antecessor, George W. Bush.
O presidente venezuelano também elogiou a posição de Obama sobre Cuba. “Acredito que se deve avançar rapidamente em direção ao que ele (Obama) tem chamado de uma nova relação com Cuba, de respeito, sem condições.”
Anti-imperialista
Durante a reunião, Chávez se levantou para entregar a Obama uma cópia em espanhol do livro “As Veias Abertas da América Latina”, clássico anti-imperialista do uruguaio Eduardo Galeano. Sobre o livro dado por Chávez, Obama diria no começo da plenária com todos os países: “Eu achei que fosse um livro dele, e eu iria dar um dos meus a ele” em retorno.
Indagado sobre se os encontros recentes entre os dois líderes abriam caminho para uma reunião bilateral no futuro próximo, Obama saiu-se pela tangente: “Acho que estamos fazendo progresso na cúpula”.
Segundo assessores do democrata, o presidente pretendia realizar “minibilaterais” com o canadense Stephen Harper, o colombiano Álvaro Uribe, o peruano Alan García, o haitiano René Préval e a chilena Michelle Bachelet.