Tudo começou em 1980 nas aulas de piano. Luciana Gonçalves, que tinha acabado de chegar de Garça, inicialmente, não gostou nada da idéia de dividir a atenção da professora com um outro rapaz que se destacava mais que ela. As aulas eram em dupla. O fato de ter como companheiro de sala um aluno que sabia tocar melhor que ela, incomodava terrivelmente.
Aos poucos, o desconforto foi dando lugar à curiosidade. Afinal de contas, quem era aquele garoto que sabia tocar tão bem? Por que a professora de piano tinha colocado os dois juntos? Não demorou muito, eles se tornaram grandes amigos e começaram a sair juntos. Onde um estava, lá estava o outro. Por causa dessa convivência intensa, Luciana lembra que a professora brincava dizendo que eles ainda iriam ser namorados. Ambos estavam saindo da adolescência e entrando na juventude.
Segundo Luciana, o relacionamento entre eles não tinha nada a ver com namoro. Era pura amizade e admiração. “Eu era uma admiradora dele. Achava que ele era muito bom tocando piano”, conta.
A convivência durou quatro anos. Depois disso, Nelson Tarantino Bergamini, o aluno prodígio, foi tentar a vida de músico em São Paulo. Enquanto isso, Luciana continuou em Bauru, foi estudar direito e tornou-se uma advogada, depois radialista e produtora de TV.
Melodia do amor
Passaram-se nove anos e durante esse tempo perderam completamente o contato. Cada um seguiu seu rumo, conheceram outras pessoas, namoraram. As aulas de piano ficaram esquecidas no fundo da gaveta da memória. Até que um belo dia, a campainha tocou, Luciana abriu a porta e deu de cara com seu antigo companheiro.
Nelson estava passeando por Bauru e resolveu visitar alguns amigos, entre eles, Luciana. “Parecia que a gente estava se vendo pela primeira vez. Eu diria que foi um amor à segunda vista”, diz. Segundo ela, conversaram sobre presente, passado e futuro, mas o clima entre eles era outro. Algo havia mudado. “Estávamos pintando um quadro com outras tintas”, compara. Começaram a perceber que ainda havia muitas afinidades entre eles e a vontade de ficar juntos voltou com força redobrada, mas agora não apenas como amigos.
Depois desse reencontro, Nelson voltou outras vezes para visitar Bauru e Luciana, até que decidiu voltar para ficar. Era o que faltava para que começassem a namorar e a viver juntos mais intensamente. Somando os cinco anos de namoro com os 14 anos de casados, são 19 anos de um relacionamento que parece cinematográfico.
Na opinião de Luciana, a maneira como se reencontraram ajudou muito a despertar o sentimento que existe até hoje entre eles. “Eu acho que os reencontros são mais fulminantes quando acontecem de surpresa e quando você percebe que pouca coisa mudou com a outra pessoa”, comenta.
Hoje, quem visita o casal encontra os dois pianos na casa. Eles estão lá, como um símbolo de cumplicidade de um amor que resistiu ao tempo e a um longo período de separação.