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Uma parábola moderna...

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Todo santo dia, ao abrir o jornal ou ver telejornais, a população se depara com escândalos políticos. Perante tal situação como agir? Pergunta fácil de ser formulada, difícil de ser respondida. Essa é a questão central da Moral e da Ética, campo de reflexão filosófica, referindo-se ao conhecimento das relações entre seres humanos e seu modo de agir. A Moral delimita o bom e o ruim no comportamento dos indivíduos para uma convivência civilizada. A Ética é o indicativo do mais justo ou menos injusto diante de possíveis escolhas que afetam terceiros. Ela pode ser interpretada como a ciência da moralidade. Os antigos filósofos discutiram sobre como lidar com as prioridades dos indivíduos diante do todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a ética da situação. O certo depende das circunstâncias e não da vontade de um único indivíduo, seja ele rei ou presidente de uma República. O pai da Ética foi Sócrates. Ele partiu do pressuposto que bastava saber sobre a bondade para ser bom. Pagou com a vida pela sua ingenuidade.

A discrepância entre teoria e prática, na qual os valores morais pouco importavam teve como conseqüência a hipocrisia denunciada pelos sofistas e a decadência da cultura grega. Como a história se repete sempre, estamos diante da mesma situação de derrocada cultural da sociedade e cinismo dos políticos. A resposta de Platão ao problema grego foi à necessidade de resgatar o velho sentido da Ética, da Justiça e da Moral, perdidos durante a época de crescimento de Atenas.

No transcorrer dos tempos esses valores se tornaram assunto particular ou quando generalizados, foram dominados pelo discurso político. Na massificação atual, a maioria não se comporta eticamente, pois não vive imoral, mas amoralmente. Estou ouvindo a sonora gargalhada dos corruptos de plantão acompanhada do comentário: gagueira de uma velha senhora. Na verdade, o aspecto cômico e absurdo de escrever sobre moralidade dessa forma indireta, encoberta por um véu destinado a diluir a austeridade da mensagem é óbvia: ninguém se irrita com o palhaço. A minha função como boba da corte não é divertir a platéia? Porém, com os meios de comunicação denunciando dia a dia às atitudes antiéticas de governantes e governados a Ética pode acabar resgatada do fundo desse mar de lama, quando o povo perceber que o rei está nu.

A autora, Janira Fainer Bastos, é articulista do JC

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