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Câncer de Dilma Rousseff surpreende


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Brasília - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, 61 anos, anunciou ontem, em entrevista, em São Paulo, que está sendo submetida a tratamento contra linfoma, um tipo de câncer causado por alterações no sistema linfático. Dilma colocou um “porth cath” - cateter de longa permanência que facilita o tratamento quimioterápico.

Segundo a ministra, foi encontrado um gânglio em sua axila esquerda durante exames de rotina realizados há 20 ou 30 dias no hospital Sírio-Libanês, sob coordenação do cardiologista Roberto Kalil.

O médico não revelou a data em que Dilma foi submetida à cirurgia para retirada do nódulo, de 2,5 centímetros, mas afirmou que o procedimento durou 45 minutos e que a ministra voltou a trabalhar normalmente no mesmo dia.

Dilma, que chegou ao hospital pela porta principal ao meio-dia, disse que “há três dias” recebeu o diagnóstico e que “o gânglio tinha sido corretamente extraído”.

“É sempre algo muito desagradável (receber esse tipo de diagnóstico)”, afirmou a ministra, completando que vai superar a doença, “assim como tantas mulheres e homens que enfrentam esse desafio”. Ela disse que se “sente muito bem”. “Eu não tinha nenhum sintoma. Daí a importância: as pessoas têm que fazer prevenção”.

Segundo a hematologista Yana Novis, Dilma “vai fazer uma quimioterapia apenas complementar”. “Graças aos exames, o diagnóstico da ministra foi feito em uma fase bem precoce. Ela tinha esse linfoma em um estágio inicial. Esse nódulo era único e foi retirado. O estágio era o primeiro, o 1A.”

O oncologista Paulo Hoff afirmou que a chance de cura é muito alta, superior a 90%.

Linfoma é uma proliferação desordenada das células de defesa do organismo situadas nos linfonodos (gânglios linfáticos). A multiplicação de linfócitos altera a estrutura dos linfonodos, deixando os nódulos aumentados, como o encontrado na axila esquerda da ministra.

“É um linfoma de grandes células. E é por isso que a ministra será submetida a esse tratamento complementar”, afirmou Novis. “Não esperamos muitos efeitos colaterais.”

“Assim como milhares de mulheres e homens que passam por processo semelhante, minha intenção é enfrentar o problema. Tenho de comemorar a vida, porque a vida é muito importante”, afirmou Dilma, que brincou ao falar sobre possíveis efeitos da quimioterapia: “Meu [cabelo] ainda não caiu’’.

Escolhida por Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer à sua sucessão em 2010, Dilma, que intensificou agendas e viagens pelo país nos últimos meses, deu sinais hoje de que não pretende diminuir o ritmo de trabalho. “Posso continuar com a minha rotina de trabalho. Até vai ser um fator para me impulsionar. Eu me sinto muito segura.”

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Doença traz nova peça ao xadrez eleitoral de 2010

São Paulo - A notícia divulgada neste sábado de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está se submetendo a um tratamento de quimioterapia surpreendeu aliados e líderes da oposição, e gera incertezas sobre o cenário político da eleição presidencial de 2010.

Em uma entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, Dilma revelou que foi diagnosticada com um linfoma e um tumor num gânglio linfático foi retirado. A ministra, escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a corrida presidencial pelo PT, assegurou que seguirá trabalhando normalmente.

Ainda digerindo a notícia, oposição e governo seguem com o cenário que até agora parecia o mais provável.

“Trabalhamos com a hipótese de disputar a eleição com ela. Reconhecemos que é uma candidata dura, mas uma pessoa íntegra, que nós respeitamos”, disse à reportagem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

“A ministra é uma pessoa que nós consideramos, respeitamos e temos a convicção de que ela estará restabelecida brevemente dessa doença transitória”, acrescentou Guerra. “A política vai continuar no seu curso, e a saúde dela logo estará recuperada.”

Em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não acreditar que a doença prejudicará a possível candidatura de Dilma ao Planalto.

“Tenho certeza de que não vai afetar a vida política dela, a ação do governo, que é intensa”, destacou o ministro a jornalistas.

“Vai continuar tocando a vida com mais esse probleminha que ela vai ter que resolver”, acrescentou.

Defensor da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a presidente como forma de enfraquecer a oposição no primeiro turno das eleições de 2010, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara, disse acreditar que o cenário continua o mesmo. “Não há conjuntura nova. O fato da doença de Dilma não impõe uma conjuntura nova”, alegou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), tem a mesma percepção: “Eu vi (na televisão) ela dizendo que prosseguia a vida normal dela. A vida normal dela mantém ela candidata.”

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Berzoini diz que planos para 2010 não serão alterados

Brasília - A direção do PT não pretende diminuir o ritmo da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial de 2010. O anúncio de que a ministra terá que fazer quimioterapia contra um linfoma foi recebido com otimismo por dirigentes do partido.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi informado sobre o estado de saúde da ministra por sua assessoria e conversou no início da tarde de ontem com o secretário-geral da legenda, deputado José Eduardo Cardozo (SP). A avaliação é que o tratamento não deve prejudicar as atividades profissionais de Dilma nem os planos que o partido preparou para a sua pré-campanha.

Lula

A ministra informou anteontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que teria que passar por um tratamento de saúde por causa da descoberta de um linfoma. O presidente teria ficado surpreso com a notícia, mas confiante na recuperação da ministra.

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