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Cemitério tem 15 túmulos violados

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

O problema é antigo, mas intensificou-se na última semana. Aproximadamente 15 túmulos foram violados no Cemitério da Saudade, em Bauru, em sete dias. O principal alvo dos ladrões são os crânios e as arcadas dentárias.

Durante visita ao local, a reportagem do JC verificou alguns túmulos que tiveram a porta estourada e buracos abertos no cimento das gavetas. Em alguns deles, os véus que cobrem os corpos estavam na parte de fora do caixão. Crânios retirados foram abandonados na cova.

Segundo cinco zeladores, que pediram para não se identificar por segurança, o problema é antigo, mas na última semana, piorou. Eles contam que os túmulos de enterros recentes são os mais procurados pelos infratores. “Acreditamos que os ladrões vêm em busca de crânios para vender a colecionadores ou até mesmo para universidades, e também atrás de dentes de ouro”, revela uma zeladora. “O grande problema é que os casos estão sendo encobertos pela administração do cemitério”, acrescenta.

Anteontem pela manhã, quando a reportagem esteve no local, uma equipe da Polícia Militar (PM) fazia boletim de ocorrência (BO) de dois casos registrados na madrugada de sexta-feira para sábado. “Toda vez que registramos a violação e levamos para a administração, nada é feito. Hoje, acredito que chamaram a polícia porque nós chamamos a imprensa”, afirma uma zeladora.

“Muitas vezes, quando há esse problema, ligo direto para o proprietário para avisar. Na quinta-feira, um cliente meu veio consertar os estragos feitos pelos ladrões”, complementa.

Outra reclamação dos zeladores é que a atual administração do cemitério, que é público, pediu para que eles providenciassem todos os documentos pessoais e o número de túmulos dos quais tomam conta. Caso não façam isso no prazo de 30 dias, deverão pagar uma taxa à administração de R$ 10,00 por túmulo que são responsáveis.

Rubens Ribeiro de Barros Filho, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pela administração do Cemitério da Saudade, afirma que os casos de violação foram registrados e o local por onde os ladrões entravam foi identificado. “Não sei o número correto dos túmulos violados, mas nós temos consciência do problema e já resolvemos a questão de entrada irregular no cemitério”, frisa.

Segundo Barros Filho, os infratores tinham acesso ao local pela porta de serviço destinada aos trabalhadores que reconstroem o muro do cemitério. “Estamos investigando os casos. O que mais intriga é que os túmulos não são escolhidos de forma aleatória, os ladrões vão direto às caixas que sabem que têm dentes de ouro”, explica. “Isso nos leva a acreditar que as informações estão sendo passadas por alguém que conhece a rotina do Cemitério da Saudade”, acrescenta o presidente da Emdurb.

O Cemitério da Saudade não tem vigia noturno. Como forma de segurança, foi colocada uma proteção cortante, de arame, na parte superior dos muros do terreno. “Desde então, casos como esse não tinham mais sido registrados”, afirma Barros Filho.

De acordo com presidente da Emdurb, quando há violação dos túmulos, cabe à administração do local identificar o problema e entrar em contato com a família, para que as providências cabíveis sejam tomadas. A administração pretende investigar os casos e para organizar o trabalho realizado pelos zeladores, que são contratados diretamente pelos proprietários dos túmulos, é que pediu os documentos dos trabalhadores. “Temos que organizar o trabalho no local, assim não dá para continuar. Queremos ter um controle de quem trabalha conosco”, afirma.

Sobre a taxa de R$ 10,00 que seria cobrada, por túmulo, dos zeladores que não fizessem o cadastramento, Barros Filho não comentou. “Para melhorar o trabalho prestado pelo cemitério e para garantir a segurança do local, estamos abertos para ouvir e discutir com os zeladores quais as melhores medidas a serem tomadas”, finaliza.

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