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Temos vagas

Maurílio Fábio de Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Crise, carga tributária, concorrências e outras dificuldades não são novidades também na rotina de vida do meu ramo de prestação de serviço (limpeza e tratamento de piso). Na minha opinião, a maior dificuldade atual é a crise da mão-de-obra. Não existe desemprego, e a crise pior é a falta de pessoas responsáveis, comprometidas e bem intencionadas no mercado de trabalho (logicamente há exceções). A minha classe talvez seja a mais sofrida e prejudicada, porque colocamos nossos contratados prestando serviços dentro de outras empresas, e essas, evidentemente, nos seus direitos, exigem pessoas idôneas e comprometidas. O problema é encontrar essas pessoas! Está ficando difícil contratar, e pior ainda é para quem não tem banco de dados e profissional para selecionar.

O funcionário trabalha um curto período, no máximo um ano, e já começa pensar nos benefícios e nas férias prolongadas e remuneradas que o salário desemprego proporciona. Dessa forma começa a criar problemas com o objetivo de provocar sua demissão. Prejudica a imagem da empresa, causa embaraços e transtorno no ambiente de trabalho. E não tem outra saída senão a demissão com o aviso prévio indenizado, indo de encontro às vontades do funcionário e às vezes massacrados pelos advogados. Não sou a favor de reduzir ganhos, nem acabar com benefícios conquistados. O que precisa é que haja mudanças urgentes nas formas de conceder tais benefícios, para que possamos ter um pouco de paz nas relações trabalhistas, e que as pessoas valorizem seus empregos. O maior absurdo é o trabalhador pedir demissão e não poder sacar o fundo de garantia. Isso somente poderá ser feito após três anos sem registro em carteira e no mês que completar aniversário. Caso o mesmo complete três anos em janeiro, e faça aniversário em dezembro, terá que esperar por quatro anos. Se o dinheiro é do trabalhador, ele deveria sacá-lo! O salário desemprego não atinge seu objetivo real, porque 99% recebe porque provocou o desemprego, ou fez o chamado “acerto”, para receber e continuar trabalhando, ocupando vagas de outros. O salário desemprego poderia ser aplicado em casos de falências, fechamento por transferência para outro município, demissões em massa por adequação ao mercado etc., tudo analisado.

As mudanças que poderiam ser feitas seriam pagar, a cada ano, um mês de aviso prévio, um mês de salário desemprego e um mês de 13.º salário, dissolvidos em doze meses de salário (férias continua normal), isso porque após um ano teríamos que gastar esses mesmos valores com demissão. Trocaremos com o governo a multa de 50% sobre o fundo de garantia por um mês de salário desemprego. Dessa forma o trabalhador teria um aumento substancial no salário, valorizaria seu emprego e não teria motivos para provocar sua demissão. Reduziria drasticamente as ações trabalhistas e a burocracia. Geraria mais empregos, porque aumentaria o número de empresas interessadas na terceirização, pelo motivo das prestadoras passarem a ser mais confiáveis por oferecer um serviço melhor. O governo economizaria. Governo e município arrecadariam mais com as emissões de notas e poderiam investir mais na saúde e aposentadoria do verdadeiro trabalhador.

O autor, Maurílio Fábio de Camargo, é empresário

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