Bairros

Insegurança em cemitério continua

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

A instalação de cercas de arame cortante, chamadas de concertina, semelhante às usadas em presídios, não intimidou vândalos que na última semana violaram 32 túmulos no Cemitério da Saudade em Bauru, conforme divulgado pelo JC. E a insegurança no local deve continuar por tempo indeterminado. A assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pela manutenção do lugar, informou que não há dinheiro em caixa para a contratação de vigias para tomar conta do local.

O grande problema enfrentado no cemitério seria o fato de que a administração não cobra taxa de manutenção dos túmulos. Na manhã de ontem, representantes da Emdurb, algumas famílias proprietárias de túmulos e uma equipe da Polícia Militar (PM) se reuniram no local para registrar o problema e buscar soluções.

Segundo a assessoria de imprensa da Emdurb, foram feitos dois boletins de ocorrência (BOs), um no dia 18 e outro no dia 23 deste mês, sobre os casos, que estão sob investigação. Preocupados, alguns familiares resolveram ir até o Cemitério da Saudades verificar o túmulo de familiares. Este é o caso da família Biancardi, proprietária de alguns jazigos no local. O túmulo da família de Elvira Biancardi, mãe de Olga Zuiani, viúva do ex-prefeito de Bauru Luiz Zuiani, foi violado.

“Li a matéria e de fato nunca somos comunicados de nada que ocorre nos túmulos, sobretudo desses mais antigos. Acho que alguém deve ser responsável por aquele patrimônio, mórbido por sinal, mas que faz parte de nossa cultura cristã ocidental”, afirma um membro da família que também possui túmulo no cemitério e que pediu para ter o nome preservado.

A assessoria de imprensa da Emdurb informou ontem que entrou em contato com os familiares de pessoas cujos túmulos foram violados e “pode ser que não tenha conseguido falar com um ou outro, mas todos foram contatados”. Zeladores que trabalham no local e o presidente da Emdurb, Rubens Ribeiro de Barros Filho, afirmam que o principal alvo dos ladrões são os crânios e as arcadas dentárias.

Durante visita ao local, a reportagem do JC verificou alguns túmulos que tiveram a porta estourada e buracos abertos nas gavetas. Em alguns, os véus que cobrem os corpos estavam na parte de fora do caixão. Crânios retirados foram abandonados na cova.

Segundo Barros Filho, os infratores tinham acesso ao local pela porta de serviço destinada aos trabalhadores que reconstroem o muro do cemitério. “O que mais intriga é que os túmulos não são escolhidos de forma aleatória, os ladrões vão direto às caixas que sabem que têm dentes de ouro”, disse.

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