Ser

Filhos na maturidade


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“Quando ocorre a benção do nascimento de um filho, nasce também um enorme amor. Atualmente, sou uma mulher sem fronteiras, tenho amor por todos os lados. Vou agradecer pra sempre a meu querido filho por me oferecer esse amor eterno. Ser mãe é ter a firmeza e a calma de ter os pés no chão, e ver seus frutos ganhando o mundo.” Esse é o significado de ser mãe para a jornalista Maria de Lourdes. Ela, como diversas mulheres, descobriu o prazer da maternidade, mesmo que não fosse uma vontade sua, em função do foco exclusivo para o trabalho, pela vontade de ser livre e receio de responsabilidade. Ah, mas quando o relógio biológico chamou, elas não resistiram e atualmente curtem a experiência de serem mães.

Talvez Maria nem pudesse passar por tão forte sentimento como esse. Ela diz que ser mãe nunca tinha sido um objetivo em sua vida. Seu sonho realmente era “ter sucesso profissional, fazer viagens, ter independência”. Porém o desejo do marido em ser pai fez ela se convencer. “Eu achei que não poderia fazer a função de mãe corretamente, mas meu marido me convenceu do contrário e, atualmente, eu o agradeço diariamente por isso”, diz a jornalista.

Ela reconhece que sua vida não é mais a mesma depois que Marcos nasceu, atualmente com 3 anos. “Marcos fez minha vida mais bonita, agora tudo que realizo e que adoro, como trabalhar, é iluminado pela existência de meu filho. Chegar do trabalho e encontrá-lo é uma benção”, afirma ela. De acordo com Maria, ser mãe ajudou muito na relação com o marido, amigos e até com o trabalho.

A fotógrafa Marta Alvarenga, 41 anos, ficou com muita dúvida em ser mãe ou não. Ela jamais teve um local certo para viver devido ao trabalho. Passou por vários países trabalhando com fotografia. Porém, foi numa passagem pela África que ela notou que era necessário correr caso desejasse ter um bebê. “Estava num local bem longe, fotografando para uma revista. Um certo dia, durante um trabalho, fui surpreendida por uma mulher gritando - ela estava com problemas no momento do parto. O ambiente era bem precário e essa mulher sofreu muito para o neném nascer, uma mistura de choro, dor e agonia. Porém, quando o bebê nasceu, a alegria nos olhos, o choro de felicidade e a vitória após tantos problemas me comoveu. Ali, refleti e decidi: “Ou vou ter o filho agora, ou nunca mais’”, diz ela. Mas as coisas não foram tão fáceis assim. O relacionamento com seu namorado não estava bom e ela estava no auge de sua carreira. Para piorar, já tinha 38 anos. E depois de um tempo ainda se separou. “A situação era angustiante e já achava que iria curtir os bebês dos outros, não os meus”, afirma Marta.

Porém, depois de um tempo, ela conheceu um rapaz e falou pra ele no início do namoro: “Ou teremos logo um bebê ou é melhor acabar com o namoro’”, conta. Quando ela já estava com 40 anos, veio Juúnior e, com ele, uma fase nova vida. “Moradia fixa, dia-a-dia de mãe e uma perspectiva, antes bem distante”, diz a fotógrafa, muito feliz. “Além da alegria de ser mãe, nós mudamos de várias maneiras. É um processo meio difícil pra mim. Existem alegrias, realmente, porém ocorre uma alteração de valores, receios. É necessário viver isso com intensidade e inteligência”.

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Uma nova maneira

O perfil da família no Brasil se alterou bastante no decorrer do tempo. Se antigamente a mãe ficava em casa tendo os filhos como seu grande papel, atualmente a situação é diferente. Porém, de acordo com os especialistas, as mulheres ainda se sentem com a obrigação de realizar os papéis considerados femininos colocados pela sociedade. Para elas, ser mãe na nossa cultura é um dever social. A mulher que não realiza essa função é considerada uma pessoa fracassada. Em outros países, como é o caso da Alemanha, quase 50% das mulheres não querem casar ou ter filhos e não há nenhum estigma da sociedade em função desta opção. As brasileiras não têm muita opção e se sentem com a obrigação de realizar as funções femininas colocadas pela sociedade.

Mas, de acordo com os especialistas, elas estão mais prontas para realizar opções com mais consciência, aprendendo a dar valor aos próprios desejos. A entrada no mercado de trabalho modificou a forma de ser mãe. As mulheres passaram a ter menos filhos, procuram outras maneiras de criá-los, compartilham mais as responsabilidades com os pais, colocam outras prioridades e tentam fazer a conciliação das diferentes funções sociais com bastante esforço. Porém, vivem em um grande dilema: o remorso e o forte cansaço ocasionado pela vontade de fazer tudo da forma mais perfeita.

Uma das vantagens que a maturidade de vida deu a Marta é a forma tranqüila ao desempenhar essas diferentes funções. “Nunca imaginei em me dedicar totalmente ao Júnior. Ele necessita de uma mãe alegre, para que o mundo seja pra ele um ambiente agradável, interessante, e eu necessito do meu serviço para ter felicidade.

Ele diz que deseja crescer para trabalhar, já que ele sabe que nós, aqui em casa, realizamos isso com muito prazer. Essa é a vantagem de ter filhos com mais idade e a badalação já não tem tanta atração. Nos dias de hoje, vivo para meus familiares, mas aos pouquinhos Júnior vai tendo os programas dele e aí nós também temos mais liberdade”.

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