Tribuna do Leitor

Cultura, como assim?


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A cultura nos traduz e nos diferencia. É por meio dela que nos revelamos uma sociedade original, plural e tolerante. Além disso, gera renda, trabalho e cidadania. Fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc. Uma das capacidades que diferenciam o ser humano dos animais irracionais é a capacidade de produção de cultura.

Bom vamos ao que interessa. Como está Bauru? Li com indignação nota da coluna Entrelinha de 22/04/2009, que nos conta da “primeira viagem” da militância política do sr. secretário de Cultura, Pedro Romualdo, e do tamanho de sua empolgação com as fotos que tirou da Capital do nosso país. Tá bom que ele é fotógrafo, eu sei, mas ele foi pra Brasília enquanto servidor público para (?) e conseguiu (?) que pretende executar até (?).

Está bem, entendi, vamos ter que esperar mais um tempo pra saber, mas só quero lembrar que já estamos esperando há pouco mais de cem dias...

Onde está a participação da Secretaria nos eventos e incentivo a produção cultural? Cem dias se passaram e o que tem o sr. secretário a nos mostrar? 1- O “Cine Tela Brasil”, um cinema itinerante, patrocínio da Telefônica?. Não, esse não, esse foi feito por iniciativa da Secretaria do Bem-Estar Social, conforme veiculado na imprensa, 2- O prefeito vai para São Paulo discutir questões de tombamentos patrimoniais, temas de pauta do CODEPAC- Conselho do Desenvolvimento do Patrimônio Cultural de Bauru, dois secretários o acompanham, o da Cultura não foi (?), também isso não...

Então o que ele tem feito? Se querem saber mais detalhes do que anda acontecendo por lá, é só ouvir os servidores, ir aos museus, às bibliotecas públicas e perguntar.

A Secretaria da Cultura se transformou numa grande confusão. Tudo está parado. As coisas não estão funcionando direito e, o pior, um clima tenso está instalado, pois o secretário não tem demonstrado muita habilidade no trato com as pessoas, grita com servidores, não atende artistas locais, o constrangimento é geral.

Pode um agente público não receber e atender ao “PÚBLICO”? Público aqui no sentido de pessoas e da coisa pública, pois é isto que estamos presenciando neste momento em nossa cidade, uma total falta de atenção aos interesses da população. A repetição de arbítrios e ditaduras e os abusos a que tantas vezes assistimos em outras administrações, não pode se repetir nesta. Alguma coisa precisa ser feita.

Chegou a hora de a Secretaria de Cultura receber um tratamento à sua altura. Um setor tão presente na vida cotidiana, tão transversal no conjunto das dimensões humanas, tão transformador para os indivíduos, tão vital para a economia do país e para sua relação com o mundo, merece políticas contínuas que contemplem sua grandeza.

Tomemos por exemplo a Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”, que é pólo irradiador da cultura em nosso município e na região, leva atividades culturais gratuitas à população, tem uma programação diversificada para iniciantes e profissionais, onde as portas estão sempre abertas: ao público e aos artistas, todos são sempre bem-vindos pelos funcionários da Oficina e por seu coordenador, o Paulinho, que é uma pessoa que mantêm um vínculo com o meio cultural há muitos anos, pessoa que não mede esforços para a realizar e inovar, prova disto são as inúmeras e diversificadas atividades que esta Oficina proporcionará a nós bauruenses, que contemplam o inovador workshop de curadoria com a renomada profª dra. Janira Fainer Bastos, passando pelos tradicionais cursos de violão e dança de salão, até a moderna oficina de rádio via internet.

Fica aqui o meu apelo ao sr. prefeito para cumprir o que propôs no inicio de sua gestão: prometeu à cidade que avaliaria em curto prazo de tempo a atuação de seu secretariado e que se necessário fosse faria ajustes. Pois bem, cem dias, já dá pra avaliar. Expresso ainda a minha solidariedade aos colegas servidores, aos artistas locais e aos sedentos por cultura desta cidade.

Cláudia Patrícia Clérigo

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