Genebra - A maioria dos casos de contágio do vírus A (H1N1) é de pessoas jovens, em média na casa dos 25 anos. A informação, que já havia sido mencionada por autoridades de México EUA, foi confirmada ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Só 12 dias após o primeiro alerta, a OMS começou a fazer o perfil dos infectados, um dado que pode ser a chave para entender como age o vírus. O número de casos confirmados pela OMS chegou ontem a 1.490, em 21 países.
Segundo Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da organização, houve poucos casos em pessoas acima de 60 anos. Ele disse que isso pode estar ocorrendo porque a população de mais idade tem mais anticorpos, por ter passado por outras infecções.
Significa que quem pegar a doença agora (e sobreviver), terá mais defesas se houver uma nova onda no futuro. Mas ele advertiu que mutações são comuns e podem tornar o vírus mais resistente.
É possível, acrescentou Fukuda, que a maior incidência entre jovens esteja associada ao fato de eles serem a maioria dos viajantes. Quase todos os casos no mundo até agora foram causados por pessoas que haviam ido ao México. Além disso, com frequência as infecções vão primeiro para os jovens, e depois para os mais velhos, segundo Fukuda.
Uma das características comuns entre os infectados com maior gravidade foi o histórico de outras doenças, principalmente respiratórias. A análise clínica foi feita durante uma reunião do Comitê Científico da OMS. Outra conclusão foi a de que o vírus atinge homens e mulheres na mesma proporção. Depois que o último encontro do Comitê Científico levou ao aumento do nível de alerta para o de pré-pandemia, na semana passada, Anteontem, a decisão foi a de mantê-lo.
A organização ainda não vê contágio em larga escala em dois continentes, que é o critério para declarar uma pandemia. O vírus continua a se propagar, em contraste com as estimativas de que o surto ultrapassara seu pico, mas ele está concentrado na América do Norte, onde há 1.365 dos 1.490 casos confirmados.
Espanha (57 casos) e o Reino Unido (27) são os países mais afetados pelo vírus fora da América do Norte, e por isso estão no foco das preocupações sobre o risco de pandemia. A maioria dos contágios foi feita por viajantes do México, mas Fukuda disse que há ao menos um caso “importado” dos EUA. A OMS disse que começou hoje a enviar o medicamento antiviral Tamiflu ao México e a 71 países com menos recursos para enfrentar o vírus.