Ela já foi chamada de inútil pelos conquistadores espanhóis, que não acharam ouro por lá. Passou pelas mãos dos ingleses, que não fizeram muito esforço para entender a dinâmica de seu povo. Virou colônia holandesa e foi deixada meio de lado até que alguém “percebeu” o contraste sem concorrentes entre suas areias branquíssimas e seu mar de azul degradé. Bastou um olhar mais demorado para ver que Aruba tinha - e muito - a oferecer.
Como em qualquer conto de fadas em que a gata borralheira se transforma numa princesa, a ilhazinha cercada pelo Mar do Caribe virou um sonho de consumo. E louco de quem não deseja passar alguns dias sob suas temperaturas para lá de agradáveis sempre faz uns 28 graus, inverno não existe e ainda por cima está fora da rota de furacões do Caribe. Não bastasse isso, o cenário é digno de contemplação por horas a fim.
Para quem sai de um país de proporções continentais, fica até difícil entender como a paisagem pode ser tão variada num espaço de 35 quilômetros quadrados.
Sim, Aruba é pequenininha, mas surpreendente. No interior, por exemplo, um visual estilo deserto mexicano chega a espantar. Os cactos dominam o horizonte, muito árido.
Mais uns poucos quilômetros e as pedras começam a tomar conta do terreno. Uns passos mais e pode-se ver uma extensa região em que o chão é formado por corais - uma prova de que a ilha aumenta um tantinho a cada ano. Por toda parte, porém, os divi divi, árvores retorcidas e que parecem lutar contra o vento o tempo todo, chamam atenção e viraram marca registrada.
Convite ao mergulho
Dificilmente, no entanto, algo vai deslumbrar tanto quanto o litoral. O mar calmo, limpo e de águas mornas convida, insinuante, a um mergulho. E a outro, e a outro... Há de se ter muita força de vontade para conseguir voltar para terra firme!
Nas águas estão as opções mais atraentes de passeios. Isso, porém, não serve de pretexto para a exclusão das atrações em terra. Vale reservar pelo menos uma tarde para um tour demorado por Aruba e desvendar suas particularidades. A ilha não guarda segredos de seus visitantes - basta querer desvendá-los. Por isso, um roteirinho básico de jipe, carro, bicicleta ou a cavalo ajuda a entender um pouco mais do que já se pode perceber pela língua nativa.
Híbrido de espanhol e holandês, com uma pitada de português, o papiamento - falado ainda em Bonaire e Curaçau - é uma prova da mistura que deu tão certo por lá. Do encontro entre os primeiros habitantes, os índios caquetios, e os muitos conquistadores, em especial os holandeses - nasceu um povo mestiço, em que a alegria caribenha e a funcionalidade européia correm nas veias em doses idênticas. Além é claro, dos homens e mulheres de peles morenas e olhos claros...
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Os restaurantes e o folclore local
De discreto, o lugar não tem nada. De longe, aliás, dá para perceber que aquela esquina é uma das mais agitadas de San Nicolas, a segunda maior cidade de Aruba. Desde 1941, o Charlie’s Bar (00-297-584-5086 ou www.charliesbaruba.com) faz parte do folclore local.
Tudo começa na decoração, totalmente original. Uma confusão de objetos espalhados por todos os lados faz a festa dos olhos. Cada enfeite deixado ali tem uma história e foi oferecido por alguns de seus 60 mil visitantes anuais. E haja imaginação. São bonés, canecas, coroas de carnaval, bichos de pelúcia, sapatos, patins... Repare numa placa de carro de São Paulo pendurada na entrada.
Algumas vezes, porém, os frequentadores exageram. “Já quiseram deixar um pedaço das Torres Gêmeas”, diz, espantado, Charles Brouns III, a terceira geração a tocar o negócio. Um empreendimento familiar e tradicional, pode-se dizer. A decoração pouco mudou nas últimas décadas e a comida é a mesma há 30 anos. “A única diferença é que, antigamente, não havia cadeiras aqui, pois os marinheiros, principais frequentadores, sempre arrumavam briga. E uma cadeira pode virar uma arma”, conta Brouns III.
No cardápio, mais uma característica que faz deste um lugar incomum. Ao oferecer suculentos steaks e camarões, um aviso, em letras garrafais: se quiser hambúrguer, que procure o Mc Donald’s, Burger King ou Wendy’s, tradicionais cadeias de fast-food.
“Não servimos comida assim”, diz o proprietário. Quem resolve ficar, não se arrepende. As porções são imensas e servidas com o molho lua-de-mel, um tipo de receita secreta de vinagrete. O tenderloin, um filé, sai por US$ 20. O hoerehap, um prato com lula, camarão e outros frutos-do-mar, custa US$ 22. Abre de segunda a sábado, das 11h45 às 21h30.
Típicos
Na capital, Oranjestad, as opções se multiplicam no jantar. Pelo menos dois restaurantes de comida típica merecem atenção. No Gasparito (00-297-586-7044, www. gasparito.com), além de boa comida, há obras de arte, que podem ser compradas. Os quadros - um tanto duvidosos - podem custar até US$ 450.
Quem quiser ficar apenas na comida, escolhe entre os pratos arubanos, como stoba di bestia chiquito - um tipo de picadinho de carne com muito tempero -, a US$ 16,95, ou o keshy yena, frango ou peixe coberto com queijo holandês, pelo mesmo preço.
No Papiamento (00-297-586-4544; www.papiamento restaurante.com), a história é um pouco diferente. Sofisticada, a casa oferece uma sugestão bem romântica: jantar à luz de velas na beira da piscina. O cardápio traz o que há de melhor na culinária local. Pode-se escolher qualquer prato, sem medo de errar. Vá de lagosta, peixe e camarão, com manteiga de limão, servidos numa pedra. Aposte, também, na sugestão do chef: filé coberto por queijo provolone. Os pratos saem, em média, por US$ 30.
Aproveite a companhia do simpático maitre, D’Looi Molina e peça para conhecer a casa, de aproximadamente 200 anos, uma das mais antigas da ilha. Além da bela decoração, pode-se ver a sala em que a rainha da Holanda, Beatrix, provou as delícias do Papiamento, durante viagem a Aruba. Abre de terça a domingo, das 18h às 23h.