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Distribuição de máscaras gera temor

Ricardo Santana e Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

O que era para ser uma medida de precaução, a distribuição de máscaras cirúrgicas, acabou provocando temor nos alunos do colégio onde estuda o menino de 13 anos que está internado com gripe suína (Influenza A H1N1). Informada pela Secretaria do Estado da Saúde de que a irmã de um aluno estava com a doença e ele sob investigação, a escola distribuiu o equipamento de proteção na chegada dos estudantes para a aula, ontem pela manhã.

Assim que souberam que um colega estava sob suspeita da gripe suína, muitos estudantes fizeram contato com seus pais, que imediatamente foram buscá-los. Outros estudantes foram embora sozinhos. Todos levaram um comunicado da Prefeitura de Bauru convidando os pais e responsáveis para uma reunião de orientação, ontem à noite, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Bauru.

A mãe de uma das alunas, Ana Lúcia da Silva Adriano Garrido, disse, pela manhã, ter sido pega de surpresa pelo chamado da filha. “Fiquei assustada”, comentou. Ao ler o comunicado entregue pela filha, ela preferiu não fazer comentários antes de obter informações detalhadas. Para Garrido, a escola tomou a atitude correta diante de uma situação delicada.

O diretor administrativo do colégio COC, William Bornia Jacob, explicou ao JC que a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde informou à escola da suspeita da gripe suína em um aluno no início da noite de anteontem. Jacob acrescenta que, naquele momento, a orientação das autoridades de saúde à escola foi de distribuir as máscaras e manter as aulas.

Segundo Jacob, a escola possui cerca de 400 alunos com idade de 11 a 18 anos que cursam ensino fundamental e médio, com aulas apenas no período da manhã. A escola possui aproximadamente 50 professores e funcionários que também aderiram ao uso das máscaras.

O filho de Jacob, Eduardo Cury Bornia Jacob, 14 anos, estudante do colégio, contou que, inicialmente, ninguém ficou preocupado, porém depois os estudantes começaram a ir embora. Ele relatou que viu uma aluna chorar. Ainda pela manhã os organizadores de um torneio de xadrez, que será realizado hoje em Bauru, orientaram que os alunos do COC inscritos não participassem do evento. No entanto, à tarde, a organização do evento decidiu que os alunos do colégio poderão participar sem nenhum problema.

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Pais optam por continuidade das aulas

Após o alarme inicial provocado pela confirmação do contágio de dois irmãos adolescentes pela gripe suína (vírus Influenza A H1N1), sendo um deles alunos do Colégio COC, pais e direção da escola se reuniram ontem à noite no auditório da Subsecção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, para sanar dúvidas sobre prevenção, contágio e tratamento, além de decidir pela suspensão ou não das aulas a partir de segunda-feira.

Por maioria de votos, os pais optaram pela continuidade das aulas. Na reunião, o secretário de Saúde procurou tranqüilizar os pais, que o questionaram, assim como o diretor da escola, Willian Jacob. Eles se demonstraram temerosos, a princípio, em mandar seus filhos para as aulas a partir de segunda-feira.

Após quase duas horas de discussão, os pais optaram pela normalidade nas aulas. Eles chegaram à conclusão que, se os filhos não forem à escola, também não poderão freqüentar outros ambientes de convívio coletivo. “Se não os mandássemos para a aula, também teríamos de restringir a ida a outros lugares”, ponderou o pai de aluno Pedro Conchinelli Júnior.

No entanto, as opiniões, mesmo após explicações do secretário de Saúde, que enfatizou que a situação não é para pânico e que todos os casos suspeitos estão sendo rigorosamente monitorados, isolados e tratados, continuaram divididas.

“Acho que, por precaução, não deveria ter aula nos próximos dias. Eu não mandaria minha neta”, discordou Maria de Lourdes Mendes de Almeida, também presente à reunião na OAB. “Alunos já faltam por coisas tão banais, como o ato de emendar feriados prolongados. Por quê não deixar de ir à aula nessa situação?”, contesta a professora aposentada.

O secretário de Saúde frisou que os telefones de emergência 192, 0800-7710060 e 3203-0565 estão abertos à população, principalmente para tirar dúvidas sobre possíveis suspeitas da gripe suína. Pessoas sob suspeita da doença, assegura, serão tratadas da mesma forma que aquelas com diagnóstico positivo.

“Se o caso for classificado como suspeito, encaminharemos para tratamento. Temos recursos terapêuticos disponíveis”, assegura Monti ao salientar que a internação dos dois irmãos com gripe suína em Bauru não se deve a fatores clínicos e sim para evitar contágio. Isso porque ambos ainda estão na fase de transmissão da doença, estimada em 7 dias para crianças e 10 dias para adultos.

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