Apesar da região de Bauru, que engloba 39 municípios, ser a 4.ª colocada entre as 26 regiões administrativas do Estado de São Paulo em qualidade de vida dos idosos em todo o Estado, o desempenho individual do município está entre os piores do ranking. A cidade aparece na posição de número 458 na lista geral dos 645 municípios pesquisados.
O estudo, intitulado “Índice Futuridade”, foi elaborado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads), e faz parte do Plano Estadual da Pessoa Idosa. É uma ferramenta que mede a assistência prestada à pessoa idosa em termos de serviços, programas e iniciativas da gestão público-municipal. A iniciativa contou com a parceria da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos) e foi validada pelo Fundo de População das Nações Unidas.
Segundo o secretário de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Rogério Amato, o governo do Estado determinou que fosse feito o plano visando o crescimento da população idosa nas próximas décadas. Segundo dados da Fundação Seade, o número de idosos no Estado chega a 4,3 milhões. Em 2020, serão 7,1 milhões.
“A estimativa é que em pouco mais de 30 anos o número de idosos em relação ao total da população triplique”, afirma. “Existe um fenômeno comum: estamos vendo cada vez menos crianças por família. Além disso, estamos vivendo mais. A configuração etária do município está mudando substancialmente”, acrescenta o secretário.
De acordo com dados da Seads, em 2008 Bauru tinha 41.951 pessoas com 60 anos ou mais, o que representa 11,75% da população no mesmo período. O estudo avaliou as questões da saúde, sociocultural e a representativa. Na saúde, foi avaliado o número de médicos geriatras, projetos de prevenção a doenças como Alzheimer, catarata, entre outros. Já no sociocultural, o estudo se baseou nas opções de lazer e entretenimento. Na representativa, são levantados dados como se os idosos têm família, se existe uma rede de proteção instalada na cidade, entre outros itens. Em Bauru, a questão da saúde foi a que teve pior desempenho.
“Nós precisamos estar mais em contato com a realidade dos idosos e eles precisam se organizar em conselhos para sensibilizar a população e mostrar que todos chegaram lá”, explica Rogério. “Existe uma série de necessidades que vão ser muito ampliadas nas próximas décadas. Então, o melhor é prevenir agora. Estamos falando do investimento no lugar certo, de fazer mais com o mesmo dinheiro. É preciso planejar e fazer uma gestão de recursos”, complementa.
O estudo mostrou que 15% das cidades paulistas não alcançaram 35 pontos, classificadas, então, com baixo índice; 69% delas foram avaliadas entre medianas e medianas altas, com pontuação entre 35,1 e 59,9. E 16% dos municípios atingiram os mais altos valores, com variação entre 60 e 86,2, nota máxima aferida. Bauru teve pontuação de 40,9, classificada como mediana.
Segundo a presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Ana Maria Michieli Benjamim, as atividades direcionadas à terceira idade hoje, no município, são realizadas pelo Sesc, Sesi, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade do Sagrado Coração (USC), Clube da Vovô, Associação dos Aposentados e Centros de Convivência do Idoso. “Trabalhamos por meio de oficinas, encontros, seminários, cada entidade tem o seu modo de desenvolver as atividades. Mas com um único bem comum, a melhoria da qualidade de vida dos idosos”, explica.
O mapeamento servirá como base para a elaboração do Plano Estadual para a Pessoa Idosa, estruturado para ajudar no cumprimento do Estatuto do Idoso e do Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento. Segundo o secretário Rogério Amato, todos os resultados serão avaliados e transformados em ações em torno do tema envelhecimento.
Sobre o Índice Futuridade, Ana Maria explica que a cidade está inserida nas atividades que serão realizadas pelo Estado, mas o trabalho ainda não foi lançado. “Acho que o governo acordou e viu que os idosos estão tendo uma vida mais longa. Mas ainda há muito o que fazer. Visamos melhora na saúde, uma vida social mais ativa. Eles estão começando a engatinhar e isso é importante”, afirma Ana Maria.
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Políticas públicas ajudam a melhorar desempenho
Conforme dados da Seads, a cidade que mais investe em políticas públicas voltadas para a terceira idade no Estado é Santo Antônio da Alegria, localizada na região administrativa de Fernandópolis, também a primeira entre as 26 regiões administrativas.
Na região de Bauru, Cabrália Paulista é a cidade com melhor desempenho no ranking geral. Está na 26ª posição. São Manuel é o município com o pior desempenho, na 603ª posição.
Segundo o secretário Rogério Amato, o Índice Futuridade não atribuiu nota aos municípios, ele apenas os classifica de acordo com suas iniciativas nas áreas de proteção, participação e saúde para os idosos por meio de um sistema de pontuação que varia de zero a 100 - a pontuação máxima representa a situação do município na garantia à sua população idosa das melhores condições de atenção.
No ranking geral, as cidades menores foram as que apresentaram o melhor Índice Futuridade. O secretário explica que isso acontece porque nestes municípios não há os grandes contrastes encontrados nas regiões metropolitanas. “Há uma cidade pequena com renda per capita menor do que os municípios maiores, mas a situação de vulnerabilidade é menor. As pessoas têm uma família, um nome, um sobrenome, são conhecidas”, revela Rogério Amato. “Existem regiões em São Paulo, por exemplo, que tiveram crescimento desordenado, muito rápido, e o Estado não teve condições de responder a este crescimento. É esperado que o índice seja pior do que em outros lugares”, complementa.
Para Amato, se não houver planejamento, as cidades, como estão hoje, não estão preparadas para atender ao aumento do número de idosos. “Esse problema de crescimento é de todos nós”, finaliza.