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Aluno do Samuzinho salva irmão de 2 meses engasgado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Um bebê de 2 meses, engasgado com catarro, foi salvo em Bauru na última terça-feira pelo irmão que completa 13 anos hoje, preparado para atendimento de primeiros-socorros no Projeto Samuzinho. Com calma e iniciativa, Robert Eduardo Alves da Rocha salvou a vida do irmão, Rhuan. Segundo Cristiane Alves Francisquete, mãe das duas crianças, o bebê não respirava e ela se desesperou, antevendo uma tragédia.

Para o espanto de Cristiane, o socorro veio do filho mais velho Robert. Orientada pelo garoto, Cristiane massageou o filho de bruços em seu colo. No entanto, o bebê permaneceu engasgado. Então, o socorrista-mirim Robert fez a massagem no irmão de bruços, no colo da mãe. A manobra deu certo e o bebê retomou a respiração e expeliu o catarro que obstruía suas vias respiratórias.

Tecnicamente, Rhuan teve sufocamento por secreção decorrente de uma gripe, não conseguindo respirar. Para a enfermeira coordenadora do Samu e do projeto Samuzinho, Laudicéia Rodrigues Crivelaro, o bebê corria risco de morrer caso ficasse algum tempo sem circulação de oxigênio no organismo.

Passado o susto, os olhos da mãe brilhavam ao contar com orgulho o feito do filho mais velho e o alívio por nada de pior ter ocorrido com o bebê. “Eu, nervosa e rindo, não saiba mais o que fazer. Aí ele fez a massagem”, comemora a mãe.

Na terça-feira, o pequeno Rhuan passou por atendimento médico, que constatou que sua indisposição seria apenas uma gripe. Horas depois, o garoto quase morreu asfixiado pela secreção acumulada em conseqüência de uma crise de bronquite diagnosticada no dia seguinte por médico do Pronto-Atendimento Infantil (PAI).

Rhuan é o filho mais novo de Cristiane que, além de Robert, possui outro menino, Renam de 9 anos. A família reside no Parque Paulista. Robert se expressa com segurança. Ao contar como salvou o irmão de apenas 2 meses, disse ter identificado de pronto que Rhuan não respirava e que os tapinhas nas costas desferidos pela mãe não foram suficientes para desengasgá-lo.

Diante da desconfiança da mãe desesperada, tentou orientá-la a massagear o irmão para que voltasse a respirar. Porém, notou que o irmão não respondia ao estímulo. Foi então que, com o bebê de bruços no colo da mãe, o menino iniciou o procedimento que aprendeu no Projeto Samuzinho. “Aí ele tossiu um líquido esbranquiçado”, relembra o socorrista-mirim Robert. Durante o dia de ontem, Rhuan ficou sob cuidados no Pronto-Atendimento Infantil e, posteriormente, seria transferido para o Hospital Estadual.

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Aniversário

Robert Eduardo Alves da Rocha colocou em prática uma manobra de nome complicado - Heimilich - e que consiste na desobstrução das vias aéreas superiores. Ele simplifica descrevendo que apenas teve o cuidado de massagear com mãos leves, evitando machucar o irmão. Ele não escondeu a timidez ao primeiro contato com a reportagem. Porém, ao se ambientar com a condição de herói, o garoto demonstrou segurança surpreendente para alguém que completa 13 anos hoje. A festa será com os companheiros e equipe do Projeto Samuzinho.

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Projeto envolve 50 crianças

Robert Eduardo Rocha freqüenta o Projeto Samuzinho desde março, um mês após iniciar as atividades com 15 crianças - agora já são 50, com idade de 6 a 12 anos. Robert foi estimulado a conhecer o Samuzinho pelo tio José Alves de Lima. Desde então é um dos destaques do grupo. Ele conta que o desempenho na escola também é positivo. “Fiz só uma prova. Tirei 9 em história”, conta o estudante da 7.ª série da escola estadual Vera Campagnani, no Jardim Redentor.

Bom desempenho escolar é reforçado no Samuzinho. A coordenadora do projeto, a enfermeira Laudicéia Rodrigues Crivelaro, comenta que Robert é uma criança bastante interessada e ativa. As crianças na faixa etária dele já aprendem noções de primeiros-socorros, combate ao uso de drogas e estão sendo preparadas para serem monitoras da turma que ingressará no projeto no ano que vem.

A formatura da turma de Robert será em 3 de julho. Com crianças na faixa etária de 8 a 10 anos se trabalha cidadania, comportamento do pedestre no trânsito e conteúdos básicos sobre os riscos de envolvimento com drogas. As crianças de 6 a 8 anos recebem noções de cidadania e para que não passem trotes telefônicos aos serviços de urgência e emergência. Eles também são responsáveis em ações de combate ao trote com palestras para outras crianças.

O Samuzinho é um projeto-piloto, criado em Brasília com a intenção de promover a educação permanente das crianças, alertando sobre os prejuízos provocados pelos trotes. O curso tem duração de um ano, com 6 meses de monitoria, fase em que cada integrante vira um agente multiplicador com palestras em escolas municipais. As aulas ocorrem aos sábados, na base da Polícia Militar, ao lado do Samu, das 13h30 às 16h.

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