Internacional

Pyongyang desafia ONU com novo míssil


| Tempo de leitura: 3 min

Pyongyang - A Coréia do Norte voltou a desafiar ontem a comunidade internacional ao ameaçar com a adoção de “medidas de autodefesa” no caso da aprovação de novas sanções pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU e disparar mais um míssil de curto alcance no mar do Japão. “Há um limite para a nossa paciência”, disse, segundo a agência oficial de notícias, a Chancelaria do país, que acusou o conselho de hipocrisia.

“O teste nuclear conduzido por nossa nação é o de número 2.054 do mundo. Os membros permanentes do CS da ONU conduziram 99,99% deles.” EUA, China, Rússia, Reino Unido e França, que têm poder de veto no CS, além de Coréia do Sul e Japão, discutem desde o início da semana a adoção de nova resolução contra o país.

Um novo texto deverá exortar os países a “reforçar” as duas resoluções já em vigor - em grande parte não implementadas -, mas só será apresentado no início da próxima semana, segundo diplomatas.

No último domingo, a Coréia do Norte realizou o segundo teste nuclear de sua história, violando resolução do CS adotada após a detonação do primeiro artefato, em 2006. O teste gerou reprovação internacional unânime, inclusive de aliados como China e Rússia.

Alegando agir em “defesa” ante ao que considerou a adoção de uma posição de confronto dos EUA e aliados regionais, Pyongyang disparou entre segunda e terça-feira uma série de mísseis de curto alcance.

O regime do ditador Kim Jong-il fez ontem lançamento de novo projétil. Paralelamente, funcionários americanos ouvidos por agências internacionais disseram haver indícios de que o país prepara o lançamento de um míssil de longo alcance. O disparo seria efetuado na mesma base de lançamento de onde foi lançado, em abril, o foguete que motivou repreensão do CS à Coréia do Norte. Em retaliação, o país anunciou a retomada do programa nuclear, congelado desde 2007, depois de acordo com os EUA.

Pyongyang também reiterou hoje que considerará inválido o armistício que pôs fim, na prática, à guerra com a vizinha do Sul, em 1953, no caso de sanções. A medida já fora anunciada, porém, na quarta, após Seul aderir a iniciativa americana de controle marítimo regional. Além de pressionar aliados e, sobretudo, a China pela aprovação de uma resolução dura contra Pyongyang, o Departamento de Estado dos EUA não descartou reintegrar o país à lista dos países patrocinadores do terrorismo.

A Coréia do Norte fora retirada no ano passado da lista pelo governo George W. Bush em troca do fechamento da usina nuclear de Yongbyon. A imprensa sul-coreana noticiou indícios da reabertura da usina.

O secretário da Defesa, Robert Gates, a caminho de encontro de segurança em Cingapura, disse que, apesar do aumento da tensão, a situação não configura crise regional e disse não crer na necessidade de reforço militar na Coréia do Sul.

Os comandos conjuntos dos EUA e da Coréia do Sul elevaram o alerta militar para o maior nível desde 2006. Washington mantém ainda hoje 28,5 mil soldados no país. Para analistas, porém, a motivação do país para a escalada é interna. Acredita-se que Kim, 67 anos, se encontre com saúde frágil e esteja tentando controlar a sua sucessão.

Comentários

Comentários