Regional

Distrito de Santa Isabel é o ‘berço’ do terço cantado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Quem vive no Distrito de Santa Isabel, região de Arealva (41 quilômetros de Bauru), sabe bem o que é um terço cantado. Durante o mês de junho, ele é usado sempre que se comemora Santo Antônio, São João e São Pedro. Passado de pai para filho, o terço é tradicional e reforça a religiosidade e a interação da população que vive no distrito e nas propriedade rurais das imediações.

O terço cantado é uma reza que mistura orações faladas e cantadas. O grupo de fiéis se divide em dois. O primeiro começa a oração cantando e pára na metade. O segundo grupo responde, também cantando.

Não são todas as orações do terço que são cantadas, ensina Luzia Limão Sardinha, que há mais de 40 anos comemora o dia de São João em sua propriedade rural. “A Salve Rainha e o Glória são cantados. O Pai Nosso e a Ave Maria, rezados. No final do terço, cantamos três Aves Marias. Para levantar o mastro do santo, após o terço, cantamos o Hino de Santo Antônio, São João e São Pedro.”

O marido de dona Luzia, Joaquim da Silva, acredita que seus filhos, mesmo morando em Bauru, vão manter a tradição quando o casal não tiver mais força para realizar o terço.

Dona Luzia não sabe dizer onde nasceu o terço cantado. Ela acredita que seus pais e tios inventaram. “Desde pequena eu vejo eles rezando o terço cantado. Quando meus pais morreram, nós passamos a realizar. A gente comemorava apenas São João, mas há três anos meu marido passou mal e fez uma promessa. A partir de então, rezamos o terço para São João e erguemos o mastro com os três santos.”

Fogueira com quentão

Luzia Limão Sardinha é uma entusiasta do terço cantado. “Eu não deixo de fazer. Meus filhos e noras ajudam a decorar a casa e a preparar os quitutes para receber os parentes e vizinhos.”

A programação, segundo ela, segue a tradição. “Os convidados chegam trazendo um prato de doce ou salgado e participam do terço. Depois, começa a festa, que tem queima de fogos, fogueira e até um forró.”

O anfitrião fica encarregado de oferecer o quentão e o leite quente com chocolate. Mas dona Luzia faz uma fornada de pão, bolo, cachorro-quente e pipoca. “O pessoal traz paçoca, pé- de-moleque e muitas outras coisas. A festa começa às 20h perdura até por volta das 2h”

Para que os participantes não desistam por conta do frio, típico da época, o anfitrião monta uma fogueira e garante muita música.

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