Nunca se falou tanto em preservação ambiental quanto nos dias de hoje. A preocupação com o meio ambiente está a todo momento nos meios de comunicação, tomou conta das escolas, especialmente as de ensino fundamental, e chegou até mesmo nas indústrias. Mas, mesmo assim, o homem ainda continua agredindo a natureza com suas ações egocentristas.
A sociedade ainda não se conscientizou da importância do meio ambiente para sua sobrevivência. As causas das agressões ao meio ambiente são de ordem política, econômica e cultural. Isso de uma forma geral, mas também particular, no caso de Bauru. Os cinco maiores problemas ambientais da cidade passam por esses três aspectos.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o prefeito Rodrigo Agostinho apontou, com base em sua experiência de anos atuando como ambientalista, quais são os maiores desafios do município na área ambiental e o que o poder público está fazendo para superá-los.
Entre esses desafios estão o tratamento do esgoto, a abertura de um novo aterro sanitário (o atual está próximo de seu esgotamento total), uma melhor arborização da cidade, limpeza das ruas e a preservação das matas e do cerrado. Enquanto o tratamento de esgoto e o aterro sanitário são questões de cunho político e econômico, uma vez que dependem de vontade política e de recursos financeiros, a arborização, a limpeza e a preservação das matas e do cerrado são questões de ordem cultural. Embora a preservação da floresta tenha muito a ver também com questões econômicas, já que os maiores responsáveis pela devastação do pouco que ainda resta de mata e do cerrado em Bauru são os empreendimentos imobiliários, que estão avançando justamente sobre essa área.
Dizemos que o problema é também de cunho cultural porque uma boa parte da população ainda não absorveu o quanto é importante não jogar lixo em via pública, não colocar fogo em mato, o que pode destruir reservas florestais, e ao invés de destruir, plantar mais árvores nas calçadas.
Por isso, o prefeito Rodrigo Agostinho disse ao JC que além da necessidade de ir atrás de recursos públicos para combater esses problemas ambientais é preciso trabalhar duro para fazer com que os moradores entendam que se eles não colaborarem, se não fizerem a parte deles, dificilmente vamos garantir um futuro com uma qualidade de vida melhor.
O homem branco sempre considerou os índios como povos “não civilizados”, porém esses “povos não civilizados” sabiam muito bem a importância da natureza para sua vida. O homem “civilizado” não acordou para isso, ainda.
A seguir, trataremos separadamente cada um dos cinco grandes problemas enfrentados atualmente pela cidade, na avaliação de Agostinho.
Esgoto
Bauru lança, por segundo, cerca de 1.500 litros de esgoto sem nenhum tipo de tratamento no rio Bauru e no rio Batalha. O impacto ambiental que isso provoca não se restringe apenas a Bauru. O esgoto produzido aqui afeta também as cidades da região. Isso porque ele segue pelo rio Batalha até o rio Tietê, em Pederneiras. De lá, a água segue contaminada para os municípios que ficam rio abaixo, como Itapuí, Boracéia, Bariri, Arealva e Iacanga, entre outros.
De todos os problemas ambientais esse é o que demanda um maior volume de recursos financeiros. Por enquanto, o dinheiro disponível está sendo usado para construir os interceptores de esgoto. Dentro de um prazo aproximado de um ano, o prefeito Rodrigo Agostinho acredita que não haverá mais esgoto correndo a céu aberto dentro da cidade. Atualmente, o rio Bauru encontra-se totalmente sem vida, por causa da quantidade de esgoto que recebe diariamente, e transformou-se em foco de transmissão de doenças.
Assim que os interceptores estiverem prontos, o esgoto continuará sendo lançado “in natura” no rio Batalha, mas em um trecho fora da área urbana, ou seja, Bauru vai se livrar do problema, mas as cidades que estão rio abaixo, não.
O esgoto só deixará de ser um problema para Bauru e região quando a estação de tratamento estiver pronta. E não há previsão de quando isso vai acontecer. De acordo com o prefeito, a obra é cara e não há recursos suficientes para tirá-la do papel. “A nossa luta agora é essa, onde tiver recurso (para a construção da estação de tratamento de esgoto), eu vou atrás”, diz.
De acordo com Agostinho, ainda este ano, a prefeitura vai inaugurar a estação de tratamento do Núcleo Gasparini, que é pequena, mas atenderá os bairros Gasparini, Pousada 1 e 2, Vila São Paulo, Colina Verde, Parque City e Nova Bauru.
O entrave é a estação maior, avaliada em aproximadamente R$ 80 milhões (o valor não é definitivo porque depende da oscilação no preço do material de construção). “Estamos tentando conseguir recursos do governo federal, nem que seja para construir apenas uma parte da estação”, comenta o prefeito. Outra fonte de recurso, segundo ele, são os recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto.